11.12.07

TEORIA LÍRICA (1. poesia)

1. As minhas alunas têm-me nas mãos. Trazem milho segado na frente, grão de bico na asa.

2. As minhas alunas cabem nas veredas. São tapetes à entrada das eiras. Subsistem no segredo e são sozinhas.

3. As minhas alunas voltam-se de costas só para não me verem. Eu sinto-lhes o cheiro.

4. Eu dou-lhes a pequena erva inútil
Digo-lhes amanhã morrerei.

5. Vejo a terra desmaiada na dor da família. Uma carta para voltar, para sorrir.

6. Eu sou um tremor, uma turbina. Tenho lâminas que rezam e grito-lhes.

7. Eu sei que isto é um produto do ilusionismo. É um sangue de metáfora cerzido nos dentes.

8. Vocês ganharam a vida
E eu a pouca sorte de nascer
Apenas uma morte antes do amor.


Rui Costa

5 Comments:

At 2:50 da tarde, Anonymous Aroma said...

Estrumpfinas&
umDosVelhotes
DosMarretas...
masLírico :)

Acutilantemente
bonito.

 
At 4:34 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Que letra tão fácil de entender!

 
At 12:45 da manhã, Blogger loucomotiva said...

é bom dar conta que o Rui tem andado mais a usar o 'insónia' como janela!
a malta agradece.

Jorge Garcia Pereira
www.loucomotiva.com

 
At 2:42 da manhã, Anonymous Anónimo said...

olá!

Rui Costa

 
At 9:38 da manhã, Anonymous margarete said...

ai.









já escrevinhei uma série de coisas, mais vale ficar-me pelo "muito bom, Rui"














possas!







:)*

 

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