12.2.08

É grande o barulho dos carros
neste começo de manhã.
As crianças falam alto
na escola ao lado.

Há uma azáfama geral
na preparação do dia
a ser mastigado em seus andaimes;
a ser degustado em suavidade;

isso é o que não se sabe.
Mas vai ter que existir o dia,
giro que gira frente à luz,
luz que persegue enquanto dura.

Todos então arrumam suas expectativas
neste começo de manhã
enquanto, na distância sem muros,
um moleque mija na paisagem.

Ildásio Tavares

Ildásio Tavares
nasceu na Fazenda São Carlos, hoje cidade de Gongogi, a 25 de Janeiro de 1940. Em 1962, já depois de um bacharel em Direito, licenciou-se em Letras. Estudou várias línguas e nunca abandonou a vida académica. Publicou artigos, contos, poemas, ensaios e romance, tendo também assinado diversas canções gravadas pelos mais ilustres intérpretes da chamada música popular brasileira. Em 1968 estreou-se em livro, com Somente um Canto. O poema que aqui reproduzimos apareceu no n.º 7 dos Cadernos de Poesia Hífen.

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