28.10.08

LIDOS OU RELIDOS EM 2008 (6)

“Breve história do progresso”, Ronald Wright, Dom Quixote (2006)


Amy Whinehouse, antes de ler.


1. Ronald Wright cita as três perguntas que Gauguin escreve no mural:
Quem somos? Donde vimos? Para onde vamos?; e diz que vai tentar responder à terceira pergunta.

2. Wright lembra o “progresso” dos “estrondos” a propósito da pólvora: do foguete ao canhão e por ali fora até à bomba atómica, capaz de estourar o mundo e o progresso. “A tecnologia é viciante. O progresso material cria problemas que são – ou parecem ser – solúveis apenas com mais progresso. Também aqui, o demónio está na escala: um bom estouro pode ser útil; um estouro melhor pode acabar com o mundo.” O mesmo quando o caçador passa a matar 200 mamutes – levando a manada inteira a cair de um penhasco –: demasiado progresso!

4. Wright lembra também como o colapso da União Soviética levou algumas pessoas – um dos mais célebres é Fukuyama, um “pensador” sobrevalorizado – a concluir que o capitalismo e a democracia eram o fim da História.

5. Mas Wright afinal responde às duas primeiras perguntas: 1) somos macacos; 2) vimos de África. Diferentemente do que se passa com os macacos, nos últimos 3 milhões de anos temos sido moldados cada vez mais pela natureza e menos pela cultura. Wright introduz o conceito de “armadilha do progresso”, explicando-a a partir da bomba atómica que, representando uma progressão lógica da seta e da bala, se tornou “a primeira tecnologia a ameaçar a nossa espécie inteira com a extinção”. No capítulo intitulado “A grande experiência”, Wright propõe-se ver como o aperfeiçoamento dos métodos de caça “terminou com a antiga Idade da Pedra e como a fuga dessa armadilha, com a invenção da lavoura, levou à nossa maior experiência: a civilização mundial”.

7. Durante a Antiga Idade da Pedra (que começou há cerca de 3 milhões de anos e terminou há apenas 12 mil anos, quando os gelos se retraíram para os pólos e cordilheiras), há cerca de 15 mil anos, a Humanidade atingira todos os continentes, com excepção da Antárctica, fazendo a caça grossa escassear. Mamutes e rinocerontes acabariam por desaparecer da Europa e da Ásia, camelos e bisontes gigantes extinguem-se nas Américas, um rasto de extinção que “segue o Homo Sapiens à volta do mundo.” E o que se passa com a caça é isto: “A perfeição dos métodos de caça determinou o fim da caça como modo de vida. Carne acessível queria dizer mais bebés. Mais bebés queria dizer mais caçadores. Muitos caçadores queria dizer menos caça disponível (...) e assim acabamos por exaurir a terra com os nossos banquetes móveis.” Já Woody Allen dizia: o nosso mundo é um vasto restaurante.

9. Com a Revolução Neolítica, ou Agrícola, subiu-se a fasquia. Os recolectores repararam que as sementes acidentalmente caídas no solo germinavam no ano seguinte. A agricultura desenvolveu-se independentemente e ao mesmo tempo no Médio Oriente, no Oriente, na Mesoamérica (México e regiões vizinhas da América Central) e na América do Sul, entre outras áreas menos importantes.

10. Há cerca de 3 mil anos, a civilização tinha crescido em pelo menos sete locais: Mesopotâmia, Egipto, Mediterrâneo, Índia, China, México e Peru, o que aponta para a seguinte conclusão: “Dadas certas condições gerais, em toda a parte as sociedades humanas caminham para uma maior dimensão e complexidade, e também para uma maior pressão ambiental.”

11. Wright explica como os homens foram obrigados a deixar o Crescente Fértil – florestas destruídas por excesso de queimadas e pelos fornos para fazer cal e estuque, destruição das pastagens pelas cabras – e a procurar um segundo paraíso mais abaixo, na Mesopotâmia.

12. Conta-se como os habitantes da Ilha da Páscoa deitaram abaixo todas as árvores e como “a palavra para madeira, rakau, se tornou a mais preciosa da sua língua”; e como, antes (em 2000 a.c.), a terra onde viviam os Sumérios se tornara branca, por causa do sal – os rios lavam o sal das rochas e da terra e levam-no para o mar “mas quando as pessoas desviam a água para terras áridas a maior parte evapora-se e o sal fica.” Wright percorre o “colapso interno” de Roma e dos Maias e analisa as situações mais “resistentes” da China e do Egipto.

13. A invenção da agricultura não resolveu o problema alimentar por duas ordens de razões: a) biológica: “a população cresce até atingir os limites do fornecimento de alimentos”; b) social: todas as civilizações se tornam hierarquizadas e a concentração no topo faz com que não haja o suficiente “para dar a volta.”

14. As notas de rodapé, que são centenas e aparecem no fim do livro, estão quase todas trocadas. É o que dá facilitar, em vez de comprar a versão original.


Rui Costa

3 Comments:

At 12:43 da tarde, Anonymous Anónimo said...

o livro é de 2006.
Rui Costa

 
At 1:54 da tarde, Blogger etanol said...

Na pré-história se calhar vivia bem, pintava grutas e etc..., mas se calhar os outros macacos puxavam-me os cabelos
:)
Maria João

 
At 4:11 da tarde, Blogger apedroribeiro said...

muito interessante.

 

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