29.1.09

A ALTERNATIVA

Esta noite tive uma insónia terrível. Podia ter sido pior, não fosse o caso da minha senhora me ter acompanhado na vigília. Falámos sobre muitos assuntos, entre os quais surgiu a necessidade de encontrarmos uma alternativa credível ao PS nas próximas legislativas. Concluímos que não é fácil. A oposição ao actual governo tem sido feita em duas frentes. Na primeira frente temos os partidos à direita do PS. De tão desacreditados que estão, vão atacando o governo na pessoa do Primeiro-ministro. Do caso da licenciatura aos projectos do engenheiro, passando agora pelas luvas, Sócrates tem sido uma espécie de saco de boxe para gente esvaziada de conteúdos. Contra as políticas propriamente ditas, nada de relevante. Até porque um passado bem recente mostra a desgraça que foram os governos PSD e PSD/PP. Lembrem-se os eleitores disto: antes de Sócrates houve Santana, antes de Santana houve Durão, antes de Durão houve Guterres… Fiquemo-nos por aqui. São 35 anos de democracia governada por gente que transformou Portugal num dos países mais corruptos da UE. Na segunda frente temos os partidos à esquerda do PS. Aproveitam o balanço da contestação popular, aparecem na primeira fila das manifestações, mostram-se ao lado do povo, com o povo e pelo povo. Deliciam-se com sucessivos recordes de gente na rua gritando impropérios contra ministros, ministérios e supostas reformas. A contestação foi quase sempre motivada pela famigerada perda de privilégios, conquistas antigas de quem trabalha e agora se vê mais explorado do que nunca por quem manda. São exemplo disso professores, funcionários públicos, classes trabalhadoras incansáveis com resultados de excelência comprovados ao longo destes 35 anos de democracia efectiva. Em quem irão votar estes humilhados e ofendidos? Na CDU? No BE? Alguns talvez. Pelo que as sondagens vão mostrando, não muitos. É preciso, pois, encontrar uma alternativa credível, uma alternativa que traga novas ideias, uma alternativa criteriosa, fundamentada em princípios ideológicos convincentes, cativantes, uma alternativa às alternativas em vigor. Agradeço publicamente a Rui Bebiano ter resolvido este meu dilema. Afinal a alternativa está à vista de todos. É verde, é limpa, transmite esperança e confiança, é tão leve quanto os livros do Lauro Trevisan. A alternativa é o MEP, com M de Obama, a esperança, yes we can, MEP, Obama, Luciana Abreu, MEP com M de amor, e de Obama, MEP com M de Martin Luther King, Mahatma (Grande Alma) Ghandi ou mesmo o de Nelson Mandela e, por que não?, M de "Xanana" Gusmão. Eis sintetizado o programa de Rui Marques, Laurinda Alves e amigos, amigos de M de MEP, ei-lo: Obama construiu a sua vitória com base em duas ideias fortes: Esperança e Mudança. Ora, Mudança e Esperança são exactamente os dois grandes designios do MEP. Se virmos bem, MEP = Partido da Esperança + Mudança. E com esta cabalística fórmula, Sócrates que se cuide. Adversários à altura não lhe faltarão.

9 Comments:

At 5:21 da tarde, Blogger etanol said...

tb não preguei quase olho e fui trabalhar estafada, este M de Luciana Abreu soa-me a treta, com M de Laurinda Alves - essa senhora era contra o aborto?
Maria João

 
At 11:00 da tarde, Blogger np said...

Esta coisa da insónia deve pegar, fui para a cama às 2 e tal mas tb não dormi nada, deve ter sido do peso das correntes.
Treta parva ainda por cima Maria João :)

 
At 1:45 da manhã, Blogger RC said...

Bem, tu ao menos não tens os comentários off. Esta é então a tua síntese do MEP? Nunca tinha pensado nas coisa assim, que dois ou três parágrafos de um post de um militante se substituissem a todo um ideário programático. Um blogue que já conta largos meses provavelmente com centenas de post.
Felizmente não me ouviste aos puns há pouco aqui em casa, senão...
Mas será assim se facto assim o entenderes.
A quem interesse o sítio oficial do MEP é outro: este.

No blogue dizemos o que nos vai na alma (ou não), arriscamo-nos ao ridículo e vamos ganhando calo com a ajuda dos sempre vigilantes. Agora por exemplo, tens lá um post sobre a contra-baixista mais gira do mundo. O que revelará isso do programa do MEP? Eu se fosse a ti passava por lá. Com Esperanza...

Devias conhecer o Diogo Pipa: com a pouca experiência de politiquice que terá e com a muita que já vai tendo da vida autárquica em Lisboa (do lado de quem faz mais do que do lado de quem decide), garanto-te que será uma mais valia face aos políticos que eternizas por acção ou omissão.
Abraços!

 
At 8:33 da manhã, Blogger hmbf said...

Eu não eternizo ninguém. Do MEP, só gosto do verde. A Laurinda fica bem com o vazio ideológico do Marques, um velho navegante de águas oportunistas. Tenham todos muita sorte na vida, não vos desejo mais.

 
At 3:21 da tarde, Blogger Rui MCB said...

Beeem. Tanto asco. Será esse o tom que denoto?
Deves ter uma história bem "cabeluda" para sustentar juizo tão peremptório. Além de o Rui Marques ser um "perigoso" Benfiquista...

Da parte do vazio ideológico sei que te enganas e daria pano para mangas mas não me parece que estejas para aí virado. Se estiveres avisa.
Da do oportunismo, espero que tenhas razão, que o MEP seja oportuno para muita gente. Por acaso é uma coisa que tenho visto como extremamente positiva na carreira do Rui Marques, foi extremamente oportuno em vários momentos. Já que falas em águas, recordo de facto o Lusitânia Expresso. Foi de um imenso sentido de oportunidade organizar aquela missão impossível particularmente quando erguer a bandeira de Timor era um caso perdido. Se calhar o mundo divide-se me dosi tipos de pessoas, aquele que acha que a inciativa foi uma fracasso e aquele que acha que foi um sucesso.
Deu a muita gente (malta nova, essencialmente) uma referência importante para que a identificação com a causa tivesse terreno fértil uns tempos depois.

Portugal também é país defunto há 850 anos se ligarmos a alguns ideologos. Com MEP o que interessa talvez não seja o destino eleitoral, será pouco menos impossível que a experiência do L-Expresso. mas uma coisa te garanto, eu que tenho vivido a coisa bem de perto: é seguramente um projecto comunitário que se está de facto a construir, da base para o topo, alimentando os neurónios e que me surpreende pela positiva a cada dia que passa.
Bom, vamos concordar em discordar, certamente.

Saudações Leoninas,
Rui

 
At 3:22 da tarde, Blogger Rui MCB said...

Perdoa-me o testamento. Não tive mesmo tempo para escrever pouco. (podes apagar este comentário)

 
At 7:27 da tarde, Blogger m said...

Eu ainda acredito no M do Manuel João Vieira

 
At 12:49 da manhã, Blogger hmbf said...

Camarada leonino, asco é uma palavra demasiado forte. Guardo-a para outros. A minha história é: da Laurinda só conheço vacuidades reunidas em livro, algumas aparições televisivas a roçar o ridículo e uma participação num Prós & Contras sobre o referendo à despenalização da IVG que me deixou atónito (Eduardo Pitta chamou-lhe peixeirada num post que vai fazer dois anos, se a memória não me falha). Quanto ao senhor Rui Marques e a sua proposta de um movimento da esperança com aspirações centro-centristas pouco tenho a dizer. Ele fala por si. Tem bom aspecto para acólito do padre Vaz Pinto. Muito sinceramente, caríssimo Rui, julgo que são livros de auto-ajuda a mais naquela cabeça (os apelos sentimentalistas assim o indicam, de sólido nada que se veja). Tanta esperança até enjoa. Ora aí está um tom que podes denotar: enjoo. Mas é óbvio que desejo muitas felicidades ao MEP, sobretudo desejo que, independentemente dos resultados, nunca percam a ESPERANÇA. Seria um contra-senso. Vivó Sporting.

 
At 11:52 da manhã, Blogger Rui MCB said...

Obrigado pelo troco e pela franqueza.
Cabe ao MEP provar que há substrato e que a discurso da esperança tem muito mais a ver com uma forma positiva de chamar o outro à responsabilização, ao esforço colectivo (à árdua esperança) do que a qualquer tontice estupidificadora. Este que te fala por exemplo é não crente, e voltaria a votar sim no referendo à despenalização do aborto. Apesar disso nunca me senti desconfortável no MEP. Naturalmente há outras matérias que nos unem e que achamos andarem muito mal tratadas. Desde logo a própria forma de encarar a política e de exercer a política.

Vamos a eles! Arrasar com o Trofense.
Abraço,
Rui

 

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