24.6.05

DREAM SONG 118

Ele questionou-se: Amarei eu? todos estes aplausos,
jovens beldades sentadas a meus pés & tudo,
e tudo.
Cansa-me, ponderou: ou quebro as regras
e amo-me a mim próprio, ou as estúpidas questões que me colocam
levar-me-ão ao homicídio –

tantas beldades, de um lado ao outro,
os muros atrás de mim, para os quais rastejo
fora da minha voz repetitiva –
o micro dobrado para baixo, os perguntadores tolos caem
sobre si próprios numa audiência de cinzas
e Henry volta a regozijar-se

no escuro e no sossego, e uma única beldade solitária
que nunca se aproximara de Henry enquanto a populaça
se reunira à sua volta:
viu para além do óbvio, ela viu que ele estava só
e esperou que ele se escondesse atrás do muro
e tudo.

Versão possível de HMBF.
John Berryman, John Smith, nasceu no Oklahoma em 1914. O seu pai suicidou-se, contava o poeta apenas doze anos. Alguns meses depois, a sua mãe casou mudando-se para Nova Iorque. Em 1931, John Berryman tentou suicidar-se pela primeira vez. No ano seguinte, foi estudar para a Universidade de Columbia, publicando aí os seus primeiros poemas. Mais tarde, viria a estudar dois anos em Inglaterra onde terá conhecido Yeats, Eliot, Auden e Dylan Thomas. Já em 1939, Berryman foi leccionar para a Wayne University, em Detroit, ocupação que acumulou com a de editor de poesia da The Nation. Nesse mesmo ano foi hospitalizado, devido a problemas de epilepsia. Outros problemas foram então desenvolvendo-se na personalidade de Berryman, como os esgotamentos nervosos agravados pelo vício do álcool. A sua primeira colecção de poemas apareceu em 1940 em Five Young American Poets. Casou-se em 1942 e, no ano seguinte, publicou Poems. Desde então, o poeta americano foi-se consolidando como académico e autor de ensaios e poesia. Ganhou vários prémios literários, ao mesmo tempo que a sua vida privada se foi degradando devido ao alcoolismo. Em 1964 foi-lhe atribuído o prémio Pulitzer pelas suas The Dream Songs, obra composta por mais de 380 poemas onde o personagem central, Henry, expõe a sua controversa personalidade. Depois de várias tentativas de desintoxicação, divórcios, condenações, despedimentos, John Berryman acabaria por suicidar-se, saltando de uma ponte em Minneapolis, em 1972.

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