26.7.05

Desde a hora da infância eu não fui
Como outros foram - eu não vi
Como outros viram – não pude tomar
Minhas paixões duma primavera vulgar.
Da mesma nascente eu não traguei
A minha tristeza; eu não despertei
Para o júbilo comum o meu coração;
E tudo o que amei, eu amei em solidão.
Nesse tempo da infância – na madrugada
Da vida mais tormentosa – foi traçada
Das profundezas do bem e do mal
O mistério que me mantém sem igual:
Da torrente ou da fonte,
Do rubro penhasco do alto monte,
Do sol que gira em meu torno
Num matiz dourado de Outono –
Do relâmpago no céu
Que tão perto de mim se deu –
Da tempestade e do trovão,
E da nuvem que adquiriu a feição
(Quando azul era o resto dos Céus)
De um demónio aos olhos meus.


Versão de HMBF.

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe, filho dos actores nómadas David Poe Jr. e Elizabeth Arnold Hopkins, nasceu no dia 19 de Janeiro de 1809 em Boston. Poeta, ficcionista e crítico literário, ficou conhecido mormente pelos seus contos de timbre soturno. Muitos atribuem-lhe a criação do policial e do thriller de cariz mais lúgubre. Órfão desde os 3 anos, viveu em Inglaterra entre 1815 e 1820. Em 1826 entrou para a Universidade de Virgínia, vindo a abandoná-la no primeiro ano por dívidas de jogo incomportáveis. Nesse mesmo ano publicou, anonimamente, o seu primeiro livro de poesia: Tamerlane and Other Poems. Em 1832 obteve um prémio pelo seu conto MS. Found in a Bottle. Trabalhou no Southern Literary Messenger e casou com uma prima sua chamada Virgínia que contava apenas 13 anos à altura do casamento. Foi ganhando uma forte inclinação para a bebida, tornando-se alcoólico. O problema agravou-se com a morte de Virgínia em 1847. Em 1849 foi encontrado numa valeta de Baltimore em puro delírio. Morreu poucos dias depois, a 7 de Outubro de 1849.

3 Comments:

At 11:26 da manhã, Anonymous Ana Rita said...

É o meu poema preferido de EAP. Apreciei muitíssimo a tradução. Obrigada!

 
At 3:29 da tarde, Anonymous o coisinho da anaconda emplumada said...

n entendo por k e k o harold bloom n o aprecia... mas baudelaire adorava e ainda mais important:aki o coisinho gosta muito(ainda k konheca pouco)

 
At 7:18 da tarde, Blogger ©carmen zita said...

Levei a sua tradução para o quarto que sente (com a devida vénia e link para o seu sítio). Espero que não leve a mal o "roubo".

 

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