22.7.05

SEM OUTRO INTUITO

Atirávamos pedras
à água para o silêncio vir à tona.
O mundo, que os sentidos tonificam,
surgia-nos então todo enterrado
na nossa própria carne, envolto
por vezes em ferozes transparências
que as pedras acirravam
sem outro intuito além do de extraírem
às águas o silêncio que as unia.

Luís Miguel Nava, 1957-1995
Luís Miguel Nava nasceu a 29 de Setembro de 1957 em Viseu. Em 1975 foi para Lisboa e inscreveu-se no curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras. Em 1979 publicou Películas, Prémio de Revelação da A.P.E. Concluída a licenciatura, em 1980, frequentou o mestrado de Literatura Francesa, começando a colaborar como crítico literário em jornais e revistas. Exerceu funções de assistente do Departamento de Literaturas Românicas entre 1981 e 1983. Nesse ano partiu para Oxford, aí permanecendo durante três anos como Leitor de Português. Em 1986 foi viver para Bruxelas, onde desempenhou o cargo de tradutor do Conselho das Comunidades Europeias. Foi brutalmente assassinado em Maio de 1995 no seu apartamento de Bruxelas, deixando instituída por testamento a Fundação com o seu nome que publica a revista Relâmpago e atribui um prémio anual de poesia.

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