15.3.06

Fragmentos # 31 - Babilónia

A cidade alberga uma confusão de vozes que se funde no metal de um livro sempre aberto. No metal, a cidade labiríntica foi suspensa no tempo, com uma escrita de ruas ao entardecer. As letras são as casas das palavras que encaixam nas veias da cidade, em ruas que caem no chão dos meus passos aqui. Os meus passos fundem-se nas vozes que habitam escritas a cidade, quando o sol mergulha em sangue. Na cidade labiríntica escrevi palavras de água, perdi as palavras que não aguentava ler, rasguei-as. Saí da muralha ao centro, estrada romana por baixo do arco-porta; resta uma única porta-sorte. Tu estavas fora delas no centro, também, largo das portas da fonte; outras portas, outro centro em torno das minhas muralhas, às voltas. Já não aguento as palavras a ressoarem na cabeça, a circularem. Rasgo o tempo silencioso onde não as consegui usar. Volto às páginas no tempo com o aroma de um vinho frutado, que me anunciam ao longe uma suite para violoncelo de Bach, após o tempo me escorregar dos dedos na forma de uma cadeira vazia ao luar. Na cidade sente um cheiro a maresia ao entardecer, ou será que é da luz?

Maria João

2 Comments:

At 6:25 da manhã, Blogger holeart said...

e pronto... no dia 26 já sabes. e no dia 24 cá estás. vais ...

 
At 8:02 da tarde, Blogger etanol said...

dia 25 canto Évora com o coro d câmara, polifonia de Évora

 

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