26.4.06

DO TITANIC NO ECRÃ

«A poesia é uma loucura de palavras»*:
golfadas de água, pistons, caldeiras,
mar de silêncio, música de pianoforte,
escadaria, ascensores, golfadas
de água, trajos de gala, icebergs,
mar de silêncio, amor, morse, foguetes
de luz, música de pianoforte, amor,
decotes, plumas, tules, icebergs,
pistons, camarotes, madeira envernizada,
tapeçarias, ascensores, morse, amor,
mar de silêncio, salva-vidas, escaleres,
escadas de corda, sino, apitos, foguetes
de luz, golfadas de água, escaleres, jorros,
mar de silêncio, morse, sino,
escaleres, amores mortos, morse,
morte, amor, morse – disse
um grande poeta meu contemporâneo.


*Ruy Belo

Fiama Hasse Pais Brandão

Fiama Hasse Pais Brandão nasceu em 1938, em Lisboa. Poetisa, dramaturga, ficcionista, ensaísta e tradutora, frequentou a secção de filologia germânica da Faculdade de Letras de Lisboa. O seu nome costuma ser associado ao grupo de poetas de Poesia 61, movimento no âmbito do qual publicou Morfismos. Mas já antes publicara Em Cada Pedra Um Voo Imóvel (1957), que lhe valeu o Prémio Adolfo Casais Monteiro, e O Aquário (1959), dois títulos mais tarde expurgados da obra canónica. Ao lado de Gastão Cruz, com quem foi casada, foi uma das responsáveis pela Antologia de Poesia Universitária (1964). Nos últimos quarenta anos, colaboração sua encontra-se dispersa por inúmeras revistas literárias, como Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago, Phala, etc. »

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