28.4.06

INSÓLITO

O fim de um século.
Estalam-nos na voz os massacres
de quantos acreditaram que viviam
sob a protecção de um céu
igualmente claro, igualmente sem mágoa.
Como harmonizar esta ruína
de longos medos construída
e tornar possível o amor
em olhares saturados de ódio,
ou de lágrimas, ou de seca lucidez?
Com quantos golpes de indiferença
se destrói um mundo?

Graça Pires

Graça Pires nasceu na Figueira da Foz em Novembro de 1946. É licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa. Publicou: Poemas (1990) [Prémio Revelação Poesia da APE, 1988], Outono: Lugar Frágil (1994) [Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres, 1993], Ortografia do Olhar (1996) [Prémio Nacional de Poesia 25 de Abril], Labirintos (1997) [Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, 1993], Conjugar Afectos (1997), Reino da Lua (2002), Uma Certa Forma de Errância (2003) [Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho].

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