15.12.06

A PROSTITUTA DA RUA DA GLÓRIA

Tanges a noite sem saber que a noite
é uma cítara com cordas de ferro
onde os insectos ferem as asas.
O teu canto arranha o azul da chama
e a cidade desperta para a dança:
um labirinto de minotauros
sorvendo o odor do primeiro tango –
um ténue resquício de feno escondido na nuca.

Ainda ontem foi lua cheia no teu ventre.
Sobrou um aquário onde os cegos vêm depenicar
a caspa dos pombos.
Hoje não saias, deixa-te ficar.

Pelos corredores as fêmeas largam o pó
das florestas quentes –
ténues resquícios de feno escondidos na nuca.

Hoje não saias, deixa-te ficar.
Deixa dormir o teu sexo cansado de morrer.

Catarina Nunes de Almeida

Catarina Nunes de Almeida nasceu em Lisboa em 1982. Em 2005 concluiu o curso de Língua e Cultura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em Março de 2006 recebeu o Prémio Internacional de Poesia Castello di Duino, em Trieste, Itália. Publicou Prefloração, nas Quasi Edições, livro com o qual venceu a segunda edição do Prémio Daniel Faria, em 2006.

7 Comments:

At 2:11 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Gosto tanto da poesia da Catarina.
E tem sido difícil encontrar o seu livro.

 
At 4:08 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Esta linguagem tem dono: Armando Silva Carvalho

 
At 10:35 da tarde, Anonymous Anónimo said...

e a linguagem de Armando Silva Carvalho tem dono? tem concerteza também. os poetas, quem escrever também lêm, concerteza. Não criadores sem mestres, senhor leitor.

 
At 10:41 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Falando assim, a linguagem de Armando Silva Carvalho também tem dono, concerteza. Os grandes poetas,os grandes escitores também lêm, concerteza, e não deve ser pouco. Não há grandes criadores sem grandes mestres, senhor leitor, caçador de sósias.

 
At 10:43 da tarde, Anonymous Anónimo said...

A Catarina, tendo em conta a idade, será um dos grandes poetas do século XXI!

 
At 1:36 da tarde, Anonymous afonso alves said...

bela poetiza! primorosa poética;

dionisios.zip.net

 
At 8:01 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Ela até pode ser bela, o problema é que o poema aqui publicado, além de transpirar cliché por todos os poros , é muito fraquinho. Ainda não li nenhum livro, é dar o beneficio da dúvida.

 

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