17.1.07

AS PALAVRAS

Seguram desiguais o mesmo fio
que as trespassa – já foram
mais velhas, mais outras, precisas,
alheias, talvez, e voltaram, serão
vizinhas, repetem, parentes ou não,
não sabem: contêm.
São círculos d’água e o sonho
de um centro qualquer como rosa
ou nome de barco, anúncio, decreto
ou poema;
poema como o limiar do estio
numa voz, nuns lábios e sempre

Vítor Matos e Sá

Vítor Matos e Sá nasceu em Maputo, antiga Lourenço Marques, em 1927. Doutorado em Filosofia, foi assistente da Faculdade de Letras de Coimbra. Foi director do Instituto Filosófico da mesma universidade. Estreou-se na poesia em 1952, com Horizonte dos dias. Colaborou com várias publicações colectivas, entre as quais se destacam a Távola Redonda, a Árvore, Cadernos do Meio-Dia e Eros. Recebeu o 1.º Prémio de Poesia da Livraria Galaica, em 1960. Faleceu em Espanha, em 1975, vitimado por um acidente de viação.

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