3.1.07

Diz-me com quem andas...

Hugo Lucas

No fragmento 70 de Humano, Demasiado Humano, Nietzsche diz-se menos ofendido perante um assassínio do que perante uma execução. Além da frieza dos juízes, choca-o «a penosa preparação, a noção de que, neste caso, um homem é utilizado como um meio para intimidar outros». É difícil ver «um meio para intimidar outros» na execução de um ditador, pois duvido que algum ditador se deixe intimidar com a execução de um outro ditador. Mas estou completamente de acordo com Nietzsche quando afirma não servir uma execução para a punição da culpa, na medida em que esta, a existir, reside também nas circunstâncias motivadoras, nomeadamente nas companhias, nos educadores, etc. Saddam foi condenado à morte pela execução de 148 aldeões xiitas de Dujail, na década de 1980. Nessa altura, as suas companhias eram outras. Provavelmente as mesmas que agora regozijaram com a sua execução.

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