8.1.07

INSCRIÇÃO

Deus era Deus. Só Deus preexistia;
Deus sempre foi. A Vida (argila obscura,
Alma celeste: dúplice escultura)
Não acordara na algidez sombria.

Não se medira a Luz à noite e ao dia,
A Eternidade ao Tempo, o espaço à Altura;
- Fluida em névoa, Criação futura,
Qual, no silêncio, o corpo da harmonia.

Mar, e não onda que na praia, à solta,
Se espraia, adonda, e logo às ondas volta,
O verbo enchia a Imensidão calada;

Sem Onde, ou Quando, nem Depois, nem Antes:
Ele era… - As mais palavras conjugantes
Não lhas ouvira, ainda, o frio Nada.

António Correia de Oliveira

António Corrêa d’Oliveira nasceu em São Pedro do Sul no ano de 1878. Estudou no seminário de Viseu, fixando-se posteriormente numa aldeia no concelho de Esposende. Estreou-se em 1897, com Ladainha. Poeta neogarrettista, foi, juntamente com Pascoaes, um dos cantores do Saudosismo, transformando-se num dos poetas oficiosos do Estado Novo. Com uma obra muito vasta, que inclui livros, opúsculos e folhetos, foi o primeiro Português a ser nomeado para o prémio Nobel. Faleceu em Esposende em 1960.

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