4.4.07

Apanhaste-me, mulher, a enrabar um rapaz,
e alto e bom som disseste que também tinhas cu.
não o dizia assim mesmo Juno ao lascivo Júpiter,
que não deixava de se deitar com Ganimedes já crescidinho?
e quando Hércules, em vez do arco, vergava Hilas
achas que Mégara não tinha nádegas?
a fugitiva Dafne fazia os ardores de Apolo:
quem lhe apagou o fogo? um rapaz espartano.
Briseida nunca se negava de costas, mas Aquiles
preferia o doce amigo.
Por isso, mulher, poupa termos masculinos
para isso que aí tens: não é cu, são duas conas.


Tradução de Alberto Pimenta.

Marcial

Marcial, ou Marcus Valerius Martialis, nasceu a 1 de Março de 40(?), em Bilbilis Augusta, actual Calatayud, Espanha. Poeta epigramático, partiu para Roma ainda muito jovem. Em Roma terá mantido relações com alguns dos mais influentes intelectuais e políticos do seu tempo, entre os quais o imperador Domiciano – a quem dedica vários dos seus epigramas. Esta tradução de Alberto Pimenta, publicada no n.º 7 da revista Telhados de Vidro, faz-se acompanhar de uma nota biográfica onde se releva o facto da sua obra ter sido branqueado em muitas traduções. Publicou 12 livros de epigramas, além de 3 livros especiais que, tradicionalmente, não são incluídos na numeração. Sobre o autor, consultar: Wikipédia, um poeta sem meias palavras, Aragoneses Ilustres, Marcial (com traduções de Jorge de Sena e Décio Pignatari) e o Pensador.