7.10.07

ALPHABET SOUP


Sussurras o teu alfabeto íntimo aos ouvidos da minha incompreensão, digo-te das letras apenas o contorno de cada traço, braço a braço, debaixo da mesa dos óculos, uma boca sôfrega canta as palavras que desejas ouvir. Não só de palavras que desejamos ouvir sobrevivem os nossos ouvidos, não só de fotografias agradáveis, elogios que é sempre preciso sustentar de uma forma ou de outra, como os filhos à nossa responsabilidade. Se te ergues mais para cima, logo acima de ti uma mão grandiosa te empurra para baixo. Se te deitas de barriga para o ar, logo um tronco te empurra para baixo da terra. Somos como as raízes que emergem para serem decepadas, no nosso caule ninguém se senta, ninguém sente a contradição que há por trás de cada gesto. Numa coisa concordamos, haverá sempre alguém disposto a não estar disposto. Haverá sempre quem não perceba que para haver canja de galinha é necessário matar uma ave. Cometer um crime.

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