9.11.07

ESTAMOS VIVOS

É hoje óbvio que o argumento desenvolvido no Cândido, a mais popular das obras de Voltaire, é um argumento demasiado fácil para ser levado a sério. Alguém que é educado a pensar que vivemos no melhor dos mundos possíveis não é nada de improvável, apesar de desde muito cedo ameaçarmos as nossas criancinhas com papões, monstros, bruxas, polícias e ciganos (aviso aos incautos: a inclusão dos polícias e dos ciganos neste leque de ternurentas personagens é apenas uma provocação). Sejamos um pouco mais exigentes com a estirpe humana. Imaginemos antes alguém que tenha sido educado na crença de que vivemos no pior dos mundos possíveis. Que tipo de metamorfose sofreria uma pessoa assim educada quando saísse da sua caverna e se deparasse com o mundo tal como ele é? E como é o mundo? Bem, não sei como descrevê-lo. Mas sei que não é o melhor dos mundos possíveis nem um mundo apenas de violações, assassinatos, maldições, infortúnios, opróbrios, assombrações, perfídia, vícios, etc.. O mundo é, sem dúvida, uma coisa estranha. Basta olhamos para nós quando estamos sentados a defecar e a pensar em coisas tão importantes como no post do dia seguinte. Mas alguém que tivesse sido educado a acreditar que este é o pior dos mundos possíveis só poderia morrer de tédio quando se desse conta de estar vivo.

2 Comments:

At 7:12 da tarde, Anonymous Bill Fart said...

Mas é precisamente por essa coisa talvez estranha, mas afinal muito natural e positiva, que é pensar-se num post ou num poema enquanto se caga, que o mundo ainda tem hipóteses de ser salvo.
Dizia o H.Helder, um cagador em condições, que "a retrete é o único lugar filosófico da casa". Por mim, acho que todos os compartimentos são filosóficos, ou poéticos (em qualquer deles se pode soltar um criativo peido, pelo menos, ou um arroto, que também não está mal - só os alfenins hipócritas têm o hábito de se armar em delicadinhos de tostão, enquanto nos vão lixando os minutos).
Porque há vários géneros de cagar, como há várias acções de comer. Pode comer-se por exibicionismo sobranceiro, como os que se dizem gastrónomos para ocultar que são bestas devoradoras, ou por voracidade crápula. O que é bem diferente do são apetite, em que um tipo come com pundonor, com hombridade e sensibilidade de comedor salutar.
Daí que um peido lançado com imaginação e sensatez adequada ou por límpida consciencia, possa fazer a diferença.
Humanizada, belamente razoável.

 
At 11:47 da manhã, Blogger Nelson said...

a propósito de peidos, fui ver o control ao festival no casino do estoril, e além de estranhar a sala meio vazia estranhei mais as 6 matronas que se sentaram na fila em frente à minha, numa cena em que os JD se peidavam no camarim antes de um concerto, diz uma das finas para as outras bem alto, que nojo, claro que me apeteceu logo ali fornicá-la por trás, mas a minha namorada acalmou-me sabiamente dizendo, se calhar ela come-os :)
nelson

 

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