17.11.07

QUEM TEM MEDO?

Com a mesma facilidade que denuncia, e bem, a utilização do medo como programa político, Daniel Oliveira refere-se a uma Europa a caminhar para o Estado Polícia. E dá exemplos, que são os exemplos do jornal Expresso: «Em França, usam-se câmaras voadoras ("drones”) para controlar as manifestações. Na Alemanha, aprova-se uma lei que autoriza o Estado a gravar e arquivar durante seis meses conversas telefónicas, mensagens de fax e acessos à Internet, incluindo de jornalistas, médicos e advogados.» De acordo, ainda assim talvez seja conveniente alguma calma e alguma precaução, não venhamos também nós a cair na tentação de usar o medo como programa político. O medo, por exemplo, da invasão da privacidade, da censura, da intimidação, etc. Outro exemplo seria o da aberrante ideia de criar uma espécie de “entidade reguladora dos weblogs”, ideia ridícula e atentatória do bom senso, à semelhança do ódio que a indústria musical manifestou, manifesta, manifestará contra a divulgação de música pela Internet. Abro um parêntesis: ainda hoje, ao descobrir os Le Partisan no Desmancha-Prazeres, dei graças à Internet por me ter possibilitado tal descoberta. Não dou graças algumas é a entidades reguladoras da liberdade de expressão. E nem me venham com defesas do bom-nome e da honra, quase sempre pretextos para impedir as vozes inconvenientes e descarriladas de serem incómodas. Nem que seja apenas quando manifestam estupefacção perante as mais elementares contradições dos cabeçudos bem pensantes.

3 Comments:

At 5:38 da tarde, Blogger ab said...

No contexto da campanha eleitoral francesa confrontaram-se dois medos, que um filosofo francês classificou em duas categorias: um medo "primitivo" essencialmente relacionado com o "outro de mau pressagio", e o medo do medo ou medo "derivado" consequência do medo primitivo. Obviamente na pessoa de Nicolas sarkozy foi o medo primitivo que ganhou as eleições; pouco a pouco as nossas "civilizadas" sociedades vão-se organizando segundo uma ordem extremamente sofisticada de medos...

 
At 10:27 da manhã, Blogger DL said...

Para além dessa referência ao Expresso, que não consegui confirmar, não conheço notícias de utilização de drones para "controlar manifestações", como D. Oliveira escreveu. A única notícia que encontrei na imprensa francesa referia-se à possibilidade de utilização *futura* de drones nesse contexto. Quando muito seria para *vigiar* manifestações, o que me parece razoável, sabendo-se que em França elas são recorrentemente infiltradas por grupos criminosos que causam distúrbios e danos materiais.

 
At 10:29 da manhã, Blogger DL said...

Tenho medo, admito-o: tenho medo dos medrosos.

 

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