28.12.07

5 BANDAS SONORAS

Eis que me chega aquela que será, suponho, a última corrente de 2007. O Luís, do Apanhador de Centeio, pede-me cinco bandas sonoras. Na verdade, pede-me «as cinco bandas sonoras que guardo com mais amizade na memória e no itunes». Sou mais uma vez traído pela linguagem utilizada nas correntes. O que é o itunes? Não sei, confesso a minha ignorância. Também não posso dizer que saiba o que é isso de guardar com amizade alguma coisa na memória. Sei apenas que guardo na memória uma série de bandas sonoras, muitas delas apenas na memória, mas sem qualquer tipo de amizade. A amizade, sem mais nem menos, guardo-a noutras regiões do corpo. Desculpo-me então ao Luís pelos ajustes que farei na minha resposta a esta corrente.

Como não poderia deixar de ser, começo o meu leque de opções pela excelsa música de um compositor que me é, desde a infância, referência e guia nessa selva obscura onde as imagens se confundem com os sons. Refiro-me a Ennio Morricone. Não é fácil escolher uma das suas bandas sonoras, mas, para ser sincero comigo próprio, terei de escolher a que mais me marcou intimamente. Tudo por causa de um tema intitulado The Man With The Harmonica. Onde Upon A Time In The West é, pois então, a primeira escolha.



A segunda opção talvez não seja tão óbvia. A verdade é que, durante a adolescência, fui fã incondicional dos Dire Straits. Andava muito interessado em guitarras e guitarristas, e o som inconfundível do dedilhado de Mark Knopfler convenceu-me. Esta paixão levou a que coleccionasse tudo o que aparecesse com a marca do guitarrista britânico. Bandas sonoras como as que compôs para os filmes Local Hero, Cal, The Princes Bride, Last Exit to Brooklyn, ainda moram cá por casa em vinil. De vez em quando, gosto de recordar a banda sonora de Cal.


Chegamos à conta que Deus fez. Sendo assim, por falar em Deus, falemos de música divinal. Bem sei haver muito quem não goste, que até despreze. Gente mais esclarecida no género olha-o com certo desdém. Como em termos musicais limito-me a permitir que o canto da sereia me cative e aprisione, pelo espanto que me provoque, deixo-me embalar facilmente pelas bandas sonoras de Michael Nyman. Há muitas que poderiam aqui ser mencionadas: The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover, Prospero’s Books, Carrington, The Claim ou, claro, The Piano.


Começamos a ficar algo apertados. As opções são muitas, tantas. Alguns dos meus escritores de canções preferidos escreveram bandas sonoras. Como esquecê-los? Há também soundtracks num registo mais pop absolutamente inesquecíveis. No entanto, como as opções são apenas cinco, deixo para penúltimo a music for films de Goran Bregovic. São todas boas, de Le Temps dês Gitans a Arizona Dream. Mas foi Underground que me abriu as portas para este universo e, consecutivamente, para muitos afluentes que até então nunca tinha explorado.


Chegámos ao fim. Estou a lembrar-me de One From The Heart, de Tom Waits, de vários trabalhos de Ryuichi Sakamoto, de experiências dentro do género levadas a cabo por Aimee Mann, Björk ou Badly Drawn Boy. Seja como for, inclino-me para uma dessas bandas sonoras, em alternativa às escolhas anteriores, que juntam música de vários artistas, de várias proveniências, sob critérios mais ou menos inteligíveis. Neste domínio, Quentin Tarantino ganha a todos os outros. A selecção, assim como o arrumo em disco, de Jackie Brown é a minha preferida.

2 Comments:

At 2:32 da tarde, Blogger luís said...

Morricone sempre. E também aprecio o Nyman, tinha também reparado já que há muito boa gente que o odeia. Eu guardo alguns dos seus trabalhos, com amizade, na memória.
O itunes é um programa da apple que permite ouvir mp3 no computador, à semelhança do windows media player, winamp, etc.

 
At 4:21 da tarde, Blogger hmbf said...

Obrigado pela informação.

 

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