15.12.07

O CABRÃO

Por mim me inclino com minha fronte
imaterial
flores que em volta me coroam até
ao ombro
até à simples alma de uma razão rasteira
de me saber cornudo, de topar
os rastos duma foda alheia
que o século me deu decifrada e cheia
de risadas de gozo.

Por essas ruas vou
cabelo ao vento
que o chapéu já me pesa na galhada testa
e vejo as árvores, os lugares de espanto
e a raiva vicejada no escuro dum quarto

De punhetas me tenho de enfeitar
pois já cona não tenho (ou tenho em falso).

Aos deuses eu empresto
meu funesto perfil
p’ra que saibam tecer
seus próprios fastos.
E se touro já sou
minotauro me quero
para vingar a sorte

de um fodido destino.

in “O armário de Midas”

Nicolau Saião

2 Comments:

At 12:47 da manhã, Anonymous Rui Costa said...

nunca tinha lido nada do ns, vou ler agora.

Rui Costa

 
At 3:57 da tarde, Anonymous freire said...

Rui, acredita que nem sabes o que tens andado a perder. Vais ficar fã, podes crer.

 

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