23.1.08

OS PINÓQUIOS


Afinal parece que é verdade: o presidente George W. Bush é mentiroso. Sei que havia uma réstia de esperança a alimentar a vossa fé, sei também que, para nosso desengano, 1000 estudos poderão ser realizados que haverá sempre alguém descrente dos resultados, sei ainda que o homem é um animal estranho. Quando digo o homem não me refiro necessariamente ao animal Bush, refiro-me à humanidade em geral. Afinal, é a humanidade em geral que acredita em mentiras. Tenho uma teoria segundo a qual as pessoas gostam de ser aldrabadas. Ou isso ou o masoquismo. Desconfio que se trate de um estranho prazer. As pessoas adoram ser enganadas, preferem acreditar nos mentirosos e vilipendiar quem lhes diz a verdade. Não há-de ter sido por acaso que Jesus Cristo acabou pregado na cruz e a Igreja Católica Apostólica Romana transformou-se um imenso império. Nada disto foi por acaso. Os mais radicais dir-me-ão que esse império foi alimentado à custa das mentiras do desgraçado que morreu na cruz. No entanto, contextualizada a questão, facilmente concluiremos que Jesus nunca mentiu, disse sempre a verdade. Por isso mesmo nunca terá dito que era Deus, limitando-se apenas a fazer-se passar por filho do dito. Somos todos. Até o tal Bush. Só por ser filho de Deus é que lhe perdoamos, só por esse motivo não será julgado como deveriam ser julgados todos os facínoras, só por essa razão nunca se sentará em Haia. Por essa e porque para cada mentiroso há sempre, pelo menos, 10 oportunistas. Já fiz as contas e sei bem que é assim. Bolas, todos nós já mentimos. É verdade que mentir centenas de vezes não é para qualquer um. Só os mentirosos cimeiros (assim tipo os poetas cimeiros) possuem esse dote de mentirem com quantos dentes têm e mais uma placa dentífrica em cada mão, levando o mundo inteiro – ou parte dele -a acreditar piamente nas suas mentiras. Em Portugal houve, e haverá sempre, umas tantas almas piedosas empenhadas na defesa do indefensável. Por mais estudos que apareçam, as 935 afirmações falsas merecerão sempre o tal “mas” que, noutras circunstâncias, jamais merecerá a mesma atenção. Ou, como agora se diz, jámé, jámé. 935 mentiras em dois anos é muita mentira. Só Bush terá sido autor de 259 dessas mentiras, 231 sobre armas de destruição massiva que nunca foram encontradas e 28 sobre vínculos do Iraque com a Al-Qaeda que nunca foram provados. Não são tantas mentiras quantos os intrujados que acreditaram nelas, é certo. Uma mentira, boa ou má, merecerá sempre a consideração de muita gente incauta, muita gente que, apegada ao mote dos seus preconceitos, homens cândidos e indefesos, não quer ver para lá das viseiras com que foram amestrados. De rabinho entre as pernas, vão alguns, às mijinhas, levantando o véu da vergonha. Mas agora é um pouco tarde, não acham? É que as mentiras já provocaram imensos mortos, muita vida destruída, uma série de Carnavais vergonhos, a desacreditação do único organismo mundial capaz de, na medida do possível, aplicar-se na ordem do mundo. Foram mentiras catastróficas, facturadas em coro, com direito a fotografia e a orquestra. Os mentirosos continuam por aí, ocupando altos cargos com o nosso beneplácito (o meu não, mas cada um que fale por si), vivendo das suas mentiras, engordando com o sangue das embustices. Chouriços dum cabrão. George W. Bush, Dick Cheney, Condoleezza Rice, Donald Rumsfeld, Colin Powell, são apenas alguns nomes. Têm as bocas sujas de falsidade. Não esqueçamos os restantes, entre os quais, tão ingénuo que ele foi, tão ingénuo que ele era, o actual Presidente da Comissão Europeia. Nóbeis, então, para essa escória toda. De preferência entregues em Haia.

1 Comments:

At 7:14 da tarde, Anonymous Saraband said...

" O PRINCIPANTE

Bush mentiu 259 vezes?! Bom, então não passa dum principiante. Devia aprender com Fidel Castro, que mente 365 vezes por ano - pois proclama que o marxismo é o salvador do mundo e Cuba a sua profeta. Mentindo como um serra da estrela.
E há outros mentirosos no mesmo género. Estou a lembrar-me do Saddam , por exemplo, que simulava ter armas de destruição massiva e, por essa mentirola, viu o tiro sair-lhe pela culatra, penduraram-no. Mas não só por isso, mentia dizendo que amava o seu povo e, pelo que se soube, limpou pelo menos, em directas, 68 mil entre kurdos e xiítas avulsos ajudado, é claro, pelo amigalhaço comparsa Ali, o Químico.
Pode dizer-se que estes mentirosos, de Bush a Saddam, têm aquilo que merecem.
Dir-me-ão que o Bush ninguém o enforcou. E eu respondo: mas enforca-lo-á a História.
Já é algum consolo.
Quanto aos outros mentirosos doutros sítios, aguardemos. A esperança é a última a morrer...enforcada ou não."

Pedro Ramos e Almeida, em PORTUGAL DIÁRIO

 

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