4.2.08

INÉDITOS DE JORGE AGUIAR OLIVEIRA #7

CHARRO TÁS MAL



e há aquelas mulheres de éter e pó-de-arroz,
comprando/adoptando crianças como ratos
-da-índia. Dizem-se seres do mundo. Na pocilga
têm o Buda na parede a enfeitar uma crença
de moda vegetariana e sons de thai-gong.

Nasceram descarnadas de terra e amor
na escuridão dos quartos esquecidos
da sinistra bênção pobre.

Estas mulheres nunca parecem mulheres
de tão áspero aspecto e semblantes carregados.
Debitam informação cultural para parecerem
as outras que invejam e denunciam
de teatralizadas e extravagantes.

Sonham para seu caixão, uma caixa de pó
-de-arroz ardendo do Ganges às portas
dum esgoto da linha do Estoril, onde bebem
chá verde colocando colares de miçangas
ao peito do yogísta com quem
esborracham os lábios,
entre fedorentos incensos ao que
chamam: beijos cá de dentro.

Estas mulheres fazem das mãos colheres
para os bagos de arroz integral.
E de pés descalços acham-se livres.

Um piercing manhoso ao vento.

Uma ou outra lá encontra um penetra
que a recicla com desinfecção e boutique,
porque em Bruxelas, galinhas sem penas
só no prato dos lençóis.


Jorge Aguiar Oliveira

3 Comments:

At 11:52 da manhã, Blogger R. said...

Muito bom!

 
At 12:50 da tarde, Blogger etanol said...

Porra!
Maria João

 
At 11:59 da tarde, Blogger dama said...

q cruel

 

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