14.3.08

RESPEITOSAMENTE

Sou um individuo humilde, a minha mãe julga-me simplório, vivo numa cidade de província, evito a confusão da urbe e a vida mundana, desleixo-me com a saúde e com o aspecto, pelo que desconfio não ser vaidoso, gosto muito pouco daquilo a que chamam convivência social, fico nervoso, ansioso, chego a ter ataques de pânico quando me sinto observado, coisa que apenas aguento com muito álcool a correr-me no sangue, adoro dançar, mas sozinho, também gosto de cozinhar, mas apenas para mim, não me considero um tipo egoísta, antes pelo contrário, dou muito do que posso dar a quem me pede e, muitas vezes, a quem nada me pede, no entanto nunca me faço convidado, detesto que pensem isso de mim, nada haverá que deteste mais do que a hipótese de alguém me julgar indigente e arrivista, por isso mantenho sempre alguma distância, inclusive dos amigos, os amigos sabem que assim é, alguns até sofrem um pouco com essa distância, queixam-se que não lhes telefono, que não lhes escrevo, que não lhes digo nada quando passo por perto, a culpa disso é um tremendo desleixo na cultura e preservação das relações (talvez o meu pior vício), prefiro ser tomado pelos acasos do que ir ao encontro das oportunidades. Isto tudo para dizer apenas que às vezes fico acanhado com a tamanha estupidez de algumas afirmações. E sinto alguma raiva, inclusive, quando escuto ou leio tais paspalhices. É que, desconhecendo quem as profere, não posso senão ficar sem saber o que pensar das pessoas que afirmam coisas destas:

Governo pretende exterminar raças
Publicado por JoaoMiranda em 14 Março, 2008
O Governo tem
um plano para exterminar 7 raças de cães perigosos. Pretende proibir a criação e importação dessas raças de cães. Os donos dos cães existentes terão que os esterilizar sob pena de serem multados. Um Estado que concebe e implementa um tal plano de extermínio é bem mais perigoso que os 5000 cães ditos perigosos que existem em todo o país. Eu sei que são cães, mas os planos para exterminar pessoas não diferem muito dos planos para exterminar cães. Por uma questão de precaução é preferível que o Estado não possua nem os meios, nem o know-how, nem o hábito do extermínio.

Se isto não é o cúmulo da idiotice, então digam-me lá o que pode representar melhor o vosso conceito de imbecilidade.

11 Comments:

At 2:43 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Respeitosamente pergunto: a quem se refere? Ao governo ou ao articulista?
É que não está bem explícito, é um pouco ambíguo.
Se calhar sou eu que sou estúpida, mas deve ser por ser loura.
A propósito, já repararam que no governo só há morenos e dois carecas?

Marília Dirceu

 
At 4:23 da tarde, Blogger MJLF said...

também fico acanhada com certas imbecilidades, por vezes nem sei o que pensar ou opinar sobre elas!

Quanto ao modo em que te apresentas neste texto, não sei se te conforta o que te vou dizer, mas somos humanos, imprefeitos, com qualidades e defeitos, aceitarmo-nos e aceitarmos os outros não é facil, por vezes é bom, outras vezes é mau e por vezes pode ser impossivel. Ter consciencia disso já é bom, mas nem sempre ajuda! è a miserável condição humana!
Maria João

 
At 6:52 da tarde, Blogger amok_she said...

Eu 'voto' q se refere ao articulista...apesar de td e deste governo...só pode,né?!?:=>

[ah e já ag...'desta vez' ñ vou limitar-me a linkar, preciso(!) transcrever todo o post]

 
At 7:07 da tarde, Blogger Alvaro said...

O meu post inflamado...

Mas que pobres cães? Pobre de quem é atacado por um cão destes. Estas raças – e nos cães pode falar-se de raças, aliás, o cão é talvez o mamífero com maior diversidade de raças, por força da intervenção humana, que transformou o lobo domesticado em inúmeras variações mais ou menos aberrantes – foram desenvolvidas para potenciar características que têm (também) a ver com o comportamento violento e destrutivo. Não há que ter pena. Se matam pessoas, se estropiam pessoas, se desfiguram pessoas, só têm de desaparecer. Mais nada. As pessoas estão primeiro, mesmo que haja quem não mereça. Mas agora porque há quem goste de mostrar o seu bichinho temos de ser coniventes com isto? Não basta já os acidentes que não podemos evitar? O que me preocupa não são os cães, é como é que se implementa a sério uma medida destas. Alguém dizia num dos debates: "preocupem-se é com os cães dos bairros sociais, que são usados para lutas..." São só esses que mordem e matam pessoas? Então e os que atacam pessoas da própria família, dentro da própria casa e fora dos bairros ditos problemáticos? E os que atacam os próprios donos?

Apoio a medida, mesmo que isso doa a muitos donos. Atenção, não se está a propor matar os cães que existem, que estão registados e em situação legal, mas sim eliminar-se raças consideradas perigosas, esterilizando os exemplares vivos para que não se reproduzam, proibindo a importação, comercialização e criação (o que aliás já foi feito noutros países, alguns dos quais são países de origem dessas raças...). Resta saber como vão pôr isso em prática e se vão abranger todas as raças perigosas ou só algumas. É que há formas de contornar uma lei demasiado restritiva, sobretudo no campo da manipulação de raças.

 
At 8:09 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Como ficou demonstrado pelo etologista que falou na SIC, a culpa é dos donos, não dos cães.
Os donos é que merecem levar na tromba.
Um cão é um irracional na medida em que o comparsa, o dono,animal social, o é a dobrar.
Cães perigosos? Sim, mas muito mais perigosos e desnaturados os que os cruzam, manipulam e utilizam.
E já agora um detalhe: na Idade Média, conforme se pode ler em Jacques Dolman e A.Rosenfeld, porcos e cavalos foram condenados à morte (não estou a brincar)por dignos tribunais constituídos para o efeito. Também na menos distante Inglaterra, depois de julgados "com todas as garantias, de defesa"(!), um boi, dois cães de água, uma mula e até um ganso (!) foram justiçados de acordo com o que vem relatado em Francesco Maria Guazzo.
Às vezes também marchava uma ou duas bruxas, para animar a função...
Eram uns belos tempos!

Gabriel Fadigas

 
At 10:44 da tarde, Blogger Alvaro said...

Não ponho em causa que em muitos casos a culpa seja dos donos. Mas prefiro que os donos tenham de arriscar mais do que agora para terem uma arma pronta a disparar.
É menos uma preocupação que vou ter quando andar com o meu filho na rua.

 
At 10:55 da tarde, Blogger amok_she said...

Se pega moda legislar (e exterminar) tudo o q nos preocupa e, em especial, ao andar na rua...vai lá, vai!, vamos ter de acabar com muita coisa...pq ñ voltarmos à proibição das manifs, digamos pr'ai de 'mais de duas pessoas por metro quadrado'!?...em especial se tiverem mau aspecto, o q me assusta sempre! (mas depois lá se tinha de definir o q seria mau aspecto, né?):=>

Ñ é q essas coisas ñ me preocupem, tb, e tb tenho filhos, mas...fazem-me sempre cócegas estas fúrias proibitivas e exterminadoras...

 
At 1:16 da manhã, Blogger Luis Eme said...

a palavra exterminio é inclassificável, mesmo quando se refere a animais selvagens e violentos.

Para quê proteger os tigres e outros felinos selvagens em extinção? Para encherem jardins zoológicos?

 
At 9:04 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Cara Maria João Etanol, pois eu cá sou prefeito (já fui, num colégio).

 
At 2:35 da tarde, Anonymous Anónimo said...

o certo certo - a julgar pelos caros humanos, incapazes de se aceitar plenamente tal (e por essa via os outros); mais capazes de humanizar animais do que os vizinhos (que conhecem certamente o sofrimento em muito maiores dimensões que os seus cãezinhos bem tratados e aferroando aqui ou ali); que apregoam depois aos que desprezam, nem com inteligência, mas idiotice, para "compreenderem" as suas posições - o certo certo é proibir essa cambada que fuma uns cigarros (sacanas, deviam era engoli-los, a prejudicarem a saúde pública), e ser compassivos com os pobres coitados (são animais...) que abocanham esta ou aquela pessoa (a vida das quais, não valesse, e sublinho, o que vale, e a vida dos pobres animais nenhum valor poderia ter), ou muito sinceramente (a forma do pobre animal se referir à sua natureza agressiva, por nós assim composta) vir um dia a ter de aferroar alguém porque, inadmissível, apenas se cruza na rua com o referido bicho.
certo certo é andarmos todos armados (sem trelas nem açaimos) e um dia acontecer até termos uma arma à mão para furar um vizinho.

 
At 2:41 da tarde, Anonymous Anónimo said...

(termine-se a frase) furar um vizinho, porque o cãozinho dele nos atacou alguém de quem sincera e completamente gostamos. e depois, pérola das pérolas, os referidos idiotas ouvirem na televisão outros vizinhos dizer: nunca lhe tinha visto fazer mal a ninguém, era amigo do seu amigo.

bruno.

 

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