18.6.08

RICARDO REIS DIRECTOR’S CUT


Sabes, Lídia, que as flautas dos pastores
são deusas lídimas e no entanto morres
de não tê-las, e em aviso repercutes não
o querê-las, mas o destinar-se o coração

ao som ausente da mão que te não toca,
a minha. E não há-de vigiar-te a hora oca
se em mais que sonho te busque o dia findo
e o cinzento louro e vago doutro sono lindo,

etéreo ou literal como o existir a moda
de usar o corpo sem ser para estar ausente
e haver lençóis, céu a tanta ode resistente.

E já nos vimos decerto, como aconselha a foda
das flautas que no campo inteiro se proclamam
deusas das outras deusas que me chamam.


Augusto Santorini

3 Comments:

At 11:53 da manhã, Anonymous Anónimo said...

"A vida é breve, a ocasião fugaz, a experiência é vacilante e o julgamento é difícil":)
PB

 
At 1:23 da tarde, Blogger Huckleberry Friend said...

Gosto destas intertextualidades... um poeta pega noutro e noutro e noutro. E a poesia parece (ainda) mais livre! Abraços

 
At 10:58 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Obrigado, abraço
Augusto Santorini

 

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