2.7.08

MANUELA FERREIRA LEITE


Manuela Ferreira Leite é um nome que se presta a imensos trocadilhos, daqueles bem brejeiros e ordinários. No entanto, fico a saber, através do Câmara Corporativa e do Da Literatura, que a senhora dona Ferreira Leite livrou-se de todos esses trocadilhos inconvenientes com uma entrevista onde terá afirmado que “a família tem por objectivo a procriação” e que “as uniões homossexuais têm de ser discriminadas” e que “uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer”. Esta coisa em forma de assim - perdoa-me O’Neill - chamada Ferreira Leite é apenas isso mesmo: uma outra coisa qualquer. A partir de hoje, quando se referirem a “outra coisa qualquer”, nunca se esqueçam de quem deu substância à expressão. Foi Manuela, a Ferreira Leite.

11 Comments:

At 3:24 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Acho magnífico, para BE(s) e PC(s) que tanto têm estado de acordo com essa tropa, e arranchado nas manifs com eles.
E isto é só o começo.Ordem na caserna, meus lindos. Os arautos da "claustrofobia democrática" vêm aí!....

I. L.

 
At 8:51 da manhã, Blogger hmbf said...

Longe de ser socrático, não me é difícil concordar com o João Pinto (do Cinco Dias) quando afirma: «Comparar José Sócrates com Manuela Ferreira Leite é como comparar o Continente com a Feira do Relógio».

 
At 10:17 da manhã, Blogger maria pragana said...

E um casal heterossexual que não queira ter filhos, também se descrimina? Ó, céus!

 
At 11:30 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Caro hmbf,

as frases que cita da mfl são frases que ela própria cita da constituição. está na lei.

e a lei trata as pessoas de forma diferente, claro que com um sentido de justiça sempre em mente.

 
At 12:05 da tarde, Blogger hmbf said...

Maria Pragana, segundo o raciocínio de “outra coisa qualquer” parece que sim.

Anónimo, pode informar-me sobre qual o artigo da CRP onde estão aquelas frases. É que eu só encontro o Artigo 36º, onde se diz:

1. Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.
2. A lei regula os requisitos e os efeitos do casamento e da sua dissolução, por morte ou divórcio, independentemente da forma de celebração.
3. Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos.
4. Os filhos nascidos fora do casamento não podem, por esse motivo, ser objecto de qualquer discriminação e a lei ou as repartições oficiais não podem usar designações discriminatórias relativas à filiação.
5. Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos.
6. Os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial.
7. A adopção é regulada e protegida nos termos da lei.

Também há o artigo 67.º, sobre o direito que a Família tem à protecção da sociedade e do Estado. Os sublinhados são meus, espero não estar a ler mal. Mas agradeço-lhe, sinceramente, que me indique onde se diz na constituição que “a família tem por objectivo a procriação” , que “as uniões homossexuais têm de ser discriminadas” e que “uma coisa é o casamento, outra é outra coisa qualquer”. Aguardo.

 
At 12:22 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro hmbf,

dou o braço a torcer. Acreditei no bom senso da senhora, ingenuamente agora vejo.

 
At 12:25 da tarde, Blogger hmbf said...

Homem, não é preciso torcer nada. Mas, de facto, parecia-me estranho que a CRP pudesse prever barbaridades daquelas. Seja como, já estou por tudo. :)

 
At 5:01 da tarde, Blogger Vida Involuntária said...

Henrique,

Muito bem. E parabéns ao anónimo, por ser intelectualmente honesto, coisa estimável.

Ainda voltando a MFL, acho que aquelas afirmações são uma estratégia, para conquistar votantes à direita, pois é sabido que há muita homofobia em Portugal e o povinho tem a nostalgia pacóvia dos tempos "do respeitinho" - cheios de filhos ILEGÍTIMOS e de esposas respeitáveis que partilhavam o marido com a "que estava por conta" -.

Mas, não sei se ao centro-esquerda, compensará em votos e aderências, tais saídas ultra-conservadoras.

A conjuntura actual é por demais complexa, para damas-de-ferro de trazer por casa.Os tempos mudaram e oxidaram o "ferro".

 
At 5:13 da tarde, Blogger hmbf said...

É mais do que estratégia, Inês. Julgo que as declarações do dia da raça proferidas pelo PR, assim como estas afirmações da MFL, que é um exemplar de saias do cavaquistão, são manifestações muito espontâneas de um pensamento conservador, violentíssimo para com todo o tipo de diferença, incomodado com a liberdade e impositivo de modelos éticos e morais fechados, típico da chamada social democracia portuguesa, que, no caso, não é outra coisa senão um salazarismo actualizado. Pois claro que isto conquista votos à direita, numa certa direita mais retrógrada (creio que existe uma outra mais liberal também nos costumes), arreigada aos sectores da igreja antiquadamente moralista (que, infelizmente, ainda são os que vingam em Portugal). Mais queira Deus que tenha razão: «A conjuntura actual é por demais complexa, para damas-de-ferro de trazer por casa. Os tempos mudaram e oxidaram o "ferro".» Mal por mal, digo eu, sempre prefiro o… cof, cof… filósofo ateniense.

 
At 12:46 da manhã, Blogger etanol said...

Imagina Portugal com o actual presidente a declarar o dia da raça e a Cavaca de saias como primeira ministra ao lado discriminar homosexuais e uniões que são outra coisa qualquer, é caso para fazer as malas e partir.
Maria João

 
At 9:15 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Julgo que convém pensar nestes assuntos com um pouco mais de profundidade.
O que estão em causa são os benefícios atribuídos ao casamento e para os quais todos contribuímos (casados, solteiros, divorciados, e outra coisa qualquer).
A que se devem esses benefícios então? Se a questão não tem a ver com a natalidade porque será que um solteiro não os poderá ter também? Se há discriminação relativamente ao casamento homosexual haverá, da mesma forma, relativamente aos solteiros, ou então há alguma coisa por explicar!

amac

 

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