6.10.05

TIA HELEN

Miss Helen Slingsby era a minha tia solteira
E morava numa casita à beira de uma praça elegante
Tratada por serviçais em número de quatro.
Ora, quando morreu, fez-se no céu um silêncio
E silêncio ao fundo da rua que era dela.
Correram as persianas, limpou os sapatos o cangalheiro –
Consciente de que tais coisas haviam já acontecido.
Na ração dada aos cães, foram generosos
Mas até o papagaio morreu em poucos dias.
Na prateleira do fogão, seguia o tiquetaque do relógio de Dresden,
E em cima da mesa de jantar sentava-se o lacaio
E apertava, nos joelhos, a criada de fora –
Sempre tão discreta, em vida da patroa.

Tradução de João Almeida Flor.

T. S. Eliot

T. S. Eliot, Thomas Stearns Eliot, nasceu em St. Louis, no Missouri, no dia 26 de Setembro de 1888. Antes de ir para Harvard, frequentou a Smith Academy e também a Milton Academy. Em 1906 ingressou finalmente no Harvard College. Em 1910 foi para Paris, continuar os estudos na Sorbonne. Descobre o simbolista Jules Laforgue e não faz a coisa por menos: foi o inventor do verso livre que o “ensinou” a falar. A descoberta de Baudelaire ocorreu nesse intervalo francês. Com o autor de Les Fleurs du Mal aprendeu a fundir sordidez realista e fantasmagoria. Em 1911 voltou a Harvard para concluir o doutoramento, uma dissertação sobre o filósofo britânico Francis Herbert Bradley. Aos 26 anos vai para Inglaterra. Matricula-se então no Merton College (onde Bradley era fellowship) de Oxford, mas em 1915 vira costas à universidade e estabelece-se em Londres. Induzido por Ezra Pound, publica The Love Song of J. Alfred Prufrock na revista Poetry de Chicago, e Preludes no magazine vorticista Blast. É também em 1915 que casa com Vivienne Haigh-Wood. Vivienne enlouqueceu em 1930. Eliot conseguiu o divórcio em 1933. O insucesso da vida familiar e sexual foi determinante na conversão de Eliot ao catolicismo. Isso aconteceu em 1927. Foi também nesse ano que renunciou à cidadania americana, tornando-se cidadão britânico. Estribado no reconhecimento público, Eliot torna-se correspondente em Londres da Revue Française e da revista The Dial. Um tanto inesperadamente, em Setembro de 1925, Eliot funda com Geoffrey Faber a editora Faber & Gwyer (Faber & Faber). Em 1948 recebeu o Prémio Nobel. No dia 10 de Janeiro de 1957, casou em segredo com a sua secretária pessoal, Valerie Fletcher. Eliot tinha quase o dobro da idade de Valerie. O autor de The Waste Land moreu em Londres, no dia 4 de Janeiro de 1965. (A partir de Eduardo Pitta, Metal Fundente, Quasi, 2004)

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