24.1.06

Ser Solidário

Ser solidário assim pr’além da vida
Por dentro da distância percorrida
Fazer de cada perda uma raiz
E improvavelmente ser feliz

De como aqui chegar não é mister
Contar o que já sabe quem souber
O estrume em que germina a ilusão
Fecundará por certo esta canção

Ser solidário assim tão longe e perto
No coração de mim por mim aberto
Amando a inquietação que permanece
Pr’além da inquietação que me apetece

De como aqui chegar nada direi
Senão que tu já sentes o que eu sei
Apenas o momento do teu sonho
No amor intemporal que nos proponho

Ser solidário sim, por sobre a morte
Que depois dela só o tempo é forte
E a morte nunca o tempo a redime
Mas sim o amor dos homens que se exprime

De como aqui chegar não vale a pena
Já que a moral da história é tão pequena
Que nunca por vingança eu te daria
No ventre das canções sabedoria

José Mário Branco

José Mário Branco nasceu no Porto em Maio de 1942. Exilado em França entre 1963 e 1974, fundou aí a cooperativa cultural Groupe Organon. Foi co-criador e intérprete de vários espectáculos do Grupo de Teatro da Liga. Ainda no exílio, efectuou centenas de recitais, musicando e interpretando numerosas peças e filmes. Regressado a Portugal, fundou o Grupo de Acção Cultural e, em 1977, integrou a companhia de teatro A Comuna. Fundou em 1979 o Teatro do Mundo e, em 1983, a União Portuguesa de Artistas e Variedades. O seu primeiro EP, Seis Cantigas de Amigo, foi editado em 1967. Mantendo-se sempre envolvido em projectos colectivos nas áreas de música, cinema, teatro e política, José Mário Branco é um dos mais importantes e influentes dos escritores de canções portugueses. »

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