6.9.06

EM CADA BOSQUE O PRODÍGIO

Era uma vez um senhor que estava apaixonado por um furúnculo. Era um furúnculo belo, isso era, porque lhe fugia sempre e as coisas que nos fogem são belas. O senhor via o furúnculo na cara de homens e mulheres, de velhos, advogados, e até no cu de um cão moribundo que gania. O cão gania porque estava apaixonado pelo furúnculo e tinha muita pena de morrer, era a primeira vez na vida que estava apaixonado. O senhor teve ciúmes e pena ao mesmo tempo e quando isto lhe passou foi a correr atrás do cu do cão. Quando estava mesmo a alcançá-lo o cão morreu e o seu cu voou e devia ir para o céu porque estava a ficar cada vez mais bonito, até parecia um buraco azul. De repente deve ter ficado mais pesado e começou a cair levemente em direcção à cara do senhor. Foi um momento breve, um instante suspenso. A expressão do senhor, contudo, não permitia tirar nenhuma ilação acerca das coisas belas que se aproximam.

Rui Costa

6 Comments:

At 1:05 da tarde, Blogger manuel a. domingos said...

pois é, as coisas belas são assim :0)

 
At 2:01 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Zoofilo

 
At 3:41 da manhã, Anonymous Anónimo said...

gosto de beleza oh é uma coisa que eu tenho!
Rui Costa

 
At 7:34 da manhã, Anonymous Anónimo said...

a cara de cu da beleza!
ok!

abraço
Luis Ene

 
At 12:07 da manhã, Anonymous Anónimo said...

isso luis, abraço
Rui Costa

 
At 9:14 da tarde, Blogger etanol said...

É muito belo rebentar fúrunculos.
Maria João

 

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