21.12.06

Fragmento #43 – Paredes de tempo

Sonho com a casa dos meus avós em Évora, mas não reconheço de imediato o espaço, vejo apenas que no sótão existe uma viga-mestre que está a ceder, se ela cair terão de fechar a rua lá fora e os estragos serão irreparáveis. Na casa estão alojados os meus irmãos e alguns amigos: percorro o corredor dos quartos ocupados rumo à biblioteca e desço as escadas, que me levam ao hall de entrada para a sala de estar, junto ao corredor da despensa. Está escuro e quando entro, dirijo-me para a mesa ao centro e levo um enorme estalo na boca. Sei que sempre fui desbocada, mas nem tanto e recordo que passei por aquele quarto que me provoca tanto medo e que não consigo lá entrar quando estou acordada. Depois relato a um dos meus irmãos que levei um estalo de alguém no escuro, um estalo na boca, mas não vi ninguém. O meu irmão diz-me que já viu luzes roxas naquela casa, luzes que se passeiam no escuro, eu respondo que não quero ali fantasmas e acordo a gritar: vão-se embora daqui todos, eu não tenho medo, fora daqui.
Depois, telefono ao meu irmão e relato-lhe o sonho, digo-lhe que deve ter sido da febre desta noite, pois estou com gripe. Ele diz-me logo: curioso, luzes roxas que se passeiam por lá? Este Natal vamos os dois descer essas escadas para ver se levas um estalo na boca quando chegares lá a baixo. Não te preocupes, eu vou contigo. Conto-lhe também que tenho uma prenda especial para lhe oferecer, ele responde que não é preciso, basta um beijinho. Pregunto ainda se há lenha na casa, ele diz que sim, que está na cave e tenho de fazer lume quando lá chegar.

Maria João

3 Comments:

At 10:41 da tarde, Blogger margarete said...

olha! o Natal! :)
ao começar a ler não diria que no final deste texto eu estivesse a ver o meu Natal

beijinhos, sim!

Boas Festas

 
At 7:37 da tarde, Blogger etanol said...

Bom Natal, Margarete, com um belo lenho a arder no dia 25 - é o fogo do Inverno e está bastante frio.
Maria João

 
At 1:20 da tarde, Anonymous Anónimo said...

tens um maneira curiosa de contar histórias.bom natal moça,
Rui Costa

 

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