9.5.07

Leio no jornal
o que todo dia mastigo
usando meu rosto
feito de salas de espera:
o que o diabo amassou e cuspiu
e tomo a overdose
a receita de rigor: Valéry-Cabral
na veia, para não perder a cabeça
nem despentear o cabelo
e para sumir solene, dopado
composto, com missa
de corpo presente, sem saber
embora tenha lido
a minha causa mortis.

Armando Freitas Filho

Armando Freitas Filho
nasceu no Rio de Janeiro, em 1940. Estreou-se na década de 1960, com Palavra, tendo reunido a sua poesia em 2003 num volume intitulado Máquina de escrever — poesia reunida e revista (1963–2003). Recebeu o prémio Jabuti em 1986, com o livro 3x4, e em 2000, com o livro Fio terra, ganhou o prémio Alphonsus de Guimaraens. É ainda autor de alguns ensaios e organizador da obra de Ana Cristina César.

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