16.8.07

A M(EN)INA

A menina inglesa que desapareceu no Algarve continua desaparecida. A imprensa insiste em fazer disso um achado. Horas e mais horas de notícias inexistentes, factos improvisados, eventualidades e suposições. Chamam circo mediático a esta coisa que, cá pelos meus olhos, se assemelha à mais ordinária das pornografias. A imprensa portuguesa prefere o caso da menina desapreciada aos casos que envolvem outros géneros de promiscuidade, desses que tocam os mais altos patrocínios da pútrida nação. Orwell já tinha avisado, não podemos confiar em nada do que sai nos jornais. O que era previsível mas indesejável é o estado de subjugação e subserviência a que chegou o jornalismo em Portugal, transformando potenciais génios da comunicação em autênticos lacaios do poder económico. No regresso, é bom constatar que nem todos andam a dormir. Pena que sejam tão poucos. A ler: este, este e este.

2 Comments:

At 6:34 da tarde, Blogger SV said...

Achei curioso que citasse Orwell. Estou, precisamente, a ler uma compilação de artigos do autor.
A propósito da alusão que faz ao conceito que Orwell fazia dos media, deixo-lhe este bocadinho (situando-o por altura da II Grande Guerra):
« Do I mean by all this that England is a genuine democracy? No, not even a reader of the Daily Telegraph could quite swallow that.»

 
At 11:43 da tarde, Blogger Luz do amanhecer said...

Infelizmente não é só o jornalismo em Potugal que chegou ao estado que chegou... Se assim fosse podia-se sempre pedir refúgio noutro lado... Em Inglaterra o estado é o mesmo senão pior, especulação em cima de especulação com o único intuito de (continuar) a vender até à exaustão esta história... Lamentável para a família..., ou não será ela mesmo uma vítima da sua própria armadilha?

 

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