7.1.08

Sentir o peso cálido.
Rodar
previdente o olhar, e saber
que não há ninguém.
Agachar-se. Enrolar
o vestido, abandonar nos joelhos
a mínima brancura
do tecido, a sua felpa
e o pregueado que abraça
a cintura e as virilhas.
Molhar
com o jorro dourado,
tíbio e doce a terra
tão seca de Agosto, o desamparo
subtil das formigas na calcada
palidez dos fenos.

Mistura
a sua fragrância espumosa com o verde
vapor denso de maio, os seus alados
murmúrios, o assustado
carreiro dos grilos.

E no inverno, levantar
um alento de nuvem
caldeada, aspirando o odor
da folha fria do ar.

Urinar
era um rito pequeno
de doçura no campo.

Tradução de Amadeu Baptista.

Juana Castro

Juana Castro nasceu em Villanueva, Córdoba, no ano de 1945. Especializada em Educação Infantil, é professora, poeta, crítica literária e cronista. Obteve vários prémios nos campos da poesia e da narrativa. O primeiro volume da sua vasta obra foi Cóncava mujer, publicado em 1978. Traduziu autores italianos. O poema que aqui reproduzimos apareceu no n.º 9 dos Cadernos de Poesia Hífen.

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