16.10.08

YOUSSOU N’DOUR & SUPER ETOILE, “TABASKI”


À entrada da feira, as mulheres despertam nas horas vagas. Alguns artigos domésticos, um vendedor de altifalante em cima do estrado de uma camioneta. Anuncia o preço imbatível de uma manta, enquanto nos enrola no discurso roufenho com um microfone embrulhado num lenço de assoar. A filha da mulher do algodão doce, a rainha das farturas, antes de chegarmos aos carrosséis de tendas com artigos de plástico, facas afiadas de inox, alguidares multicoloridos, roupas, especiarias e a mais aguardada de todas, com colecções de calendários de bolso, carteiras, crachás pins nos quais buscaremos a exposição de uma identidade envergonhadamente retraída. É preciso subir a escadaria de cimento para chegar à vista global do mercado, é preciso olhar lá de cima a azáfama para entender, com clareza, o que levanta o pó. A fome de um estado de espírito governado pelo desgoverno, a ânsia de necessidades inexistentes mostradas aos outros como sendo profundamente nossas. Disto tudo, apenas o gosto da canela misturado com o açúcar das farturas. E a Samantha Fox dos carrinhos de choque com seus mínimos calções de ganga desfiada.

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