29.6.05

ESQUECIMENTO

O esquecimento é como uma canção
Que, sem pulsação nem medida, se perde.
O esquecimento é como um pássaro de asas reconciliadas,
Estendidas e imóveis, -
Um pássaro infatigável que costeia o vento.

O esquecimento é chuva nocturna,
Ou uma velha casa na floresta, - ou uma criança.
O esquecimento é lívido, - lívido como uma árvore golpeada,
E pode ensurdecer as profecias da sibila,
Ou ocultar os Deuses.

Eu consigo lembrar demasiado esquecimento.

Versão (muito) livre de HMBF
Hart Crane, Harold Hart Crane, nasceu no Ohio em 1899. Levou uma vida agitada e nómada, dentro e fora do seu país. As suas inclinações homossexuais, num meio socialmente homofóbico, condicionaram bastante a sua vida afectiva e emocional. Relações temporárias e, por vezes, violentas, terão sido forte contributo na formação de uma personalidade conturbada, impetuosa e, já numa fase final da vida, com claras tendências depressivas. Publicou a sua primeira colecção de poemas em 1926: White Buildings. Antes disso, havia já publicado alguns poemas em pequenas revistas de culto. Agastado com o insucesso daquela que Crane considerava ser a sua obra fundamental, The Bridge (1930), o poeta foi-se deixando tomar pelo vício do álcool. Suicidou-se no dia 26 de Abril de 1932.

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