27.6.06

ARteoRIA # 6 : Volume IX (1996/1997)

- Como é? Para se ser de Évora é necessário ser rico e estúpido, não é? Como é que pensava o Virgílio Ferreira?

- Do Virgílio Ferreira lembro-me melhor de outras coisas.

- Como assim?

- “ Évora mortuária, encruzilhada de raças, ossuário dos séculos e dos sonhos dos homens, como te lembro, como me dóis!”

- Ah...! Sabe, li esse livro quando tinha 18 anos e fiquei muito abalado.

- É sempre complicada a descoberta do eu.

- Sim, alguns aguentam, outros não. É como o grito do Tristan Tzara. Como era na Aparição?

- Era a relação de um professor de liceu com um aluno chamado Bexiguinha.

- Que repetia a palavra galinha.

- Não era galinha, era pedra.*
Maria João

* In Diálogos da Academia, edição MJLF, numerada e oferecida a todos os que entraram em diálogo comigo durante o percurso académico. Trata-se de uma sebenta onde registei um projecto de dez livros, a executar cada um em duas placas de pedra, ligadas por argolas de aço, onde os textos seriam escritos com ácido, tal como se faz nas campas. Na altura achei que para este diálogo, qualquer mármore servia, mas tinha de estar em estado bruto e com pouco polimento. Agora, a esta distância e depois de visitar a cidade do Porto, prefiro o cinzento do granito e as suas surpresas.

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