7.9.06

POÉTICA PARA DESANIMAR OS LEITORES

Não digo nada que não tenha sido dito.
Não procures novidades no meu verso.
Amei sem ser amado, como tantos.
Fui jovem, como todos, sem sabê-lo.
Pedi à arte coisas que esqueci.
Apenas sei que de nada me serviram.
Tive um tesouro nas mãos, tive
ouro e areia, luz e desconsolo.
Não procures novidades. O que digo.
já tu o pensaste e outros o disseram
com palavras mais belas do que as minhas.
Apenas escrevo para matar o tempo.
Tradução de Joaquim Manuel Magalhães.

José Luis García Martín

José Luis García Martín nasceu em Aldeanueva del Camino, Cáceres, em 1950. Professor de literatura na Universidade de Oviedo, onde há muito reside, é crítico de poesia e director da revista Clarín. A sua obra poética, iniciada em 1972 com o livro Marineros perdidos en los puertos, tem vindo a ser reunida em vários volumes dos quais o mais recente é Mudanza (Poesía 1972-2003). Publicou ainda várias antologias, ensaios, diários, teatro e narrativa.

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