5.12.07

Quatro luas passaram sem que a dor
Em sonho me revelasse a solidão.
A noite, que a trouxera, por amor
Bastou para merecer a servidão.

De véspera, ainda o silêncio, de fulgor
Mais puro que a luz da provação,
Voltou a ser, na morte, desamor
Ao retirar da terra o coração.

Levou-o o Novembro frio, sem adeus,
Depois de já cansado, cada instante
O ter deixado para trás pelo caminho.

Dos cuidados de outrora, há um dos meus
Que é cuidado dele. Mais adiante
Saberá porque vou então devagarinho.

Vergílio Aalberto Vieira

Vergílio Alberto Vieira nasceu em 1950, em Amares, Braga. Formou-se em Letras na Universidade do Porto, passando a leccionar em Lisboa a partir de 1993. Reuniu a maior parte da sua poesia no volume A Imposição das Mãos (1999). É também crítico literário e ficcionista, assim como autor de livros para crianças. Está representado em várias antologias e traduzido para castelhano, francês e búlgaro. »

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