12.1.08

CONTINUIDADE


Há em certas coisas antigas um vestígio
De nebulosa essência, além do peso e forma;
Um éter subtil, indefinido
Ligado às leis do tempo e do espaço.

Um débil, velado signo de sequências
Que os olhos de fora descobrir não conseguem;
Suas cerradas dimensões – onde os anos idos se acoitam
Só por secretas chaves se devassam.

Comovo-me quando os raios do sol ao entardecer
Alumiam as velhas casas da quinta frente ao monte
Colorindo de vida as formas que perduram
De séculos mais reais que este que conhecemos.

E nessa estranha luz sino que não estou longe
Dessa massa imutável em que as faces são as épocas


Tradução de Nicolau Saião.

Howard Phillips Lovecraft

H. P. Lovecraft nasceu em Providence, Rhode Island, a 20 de Agosto de 1890. É sobretudo conhecida a sua obra narrativa no domínio da ficção fantástica. No entanto, também cultivou o ensaio e a poesia. Perdeu o pai muito cedo, revelando-se uma criança prodigiosa. Recitava poesia aos dois anos, começou a ler aos três e, com seis anos, escreveu os primeiros textos. Com apenas dezasseis anos, começou a escrever uma coluna de astronomia no Providence Tribune. O seu primeiro trabalho publicado de forma profissional foi o conto Dagon, aparecido, em 1923, na revista Weird Tales. Os seus últimos anos foram de pobreza e várias enfermidades. Morreu no dia 15 de Março de 1937, vítima de cancro intestinal.

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