25.1.07

Sentido de humor

Sentido de humor, então… Não saber rir. Pois claro. Que mais? Por exemplo, não embarcar nas técnicas manhosas ao serviço de uma sociedade de consumo e consumista onde tudo vale para nada valer. É que há coisas com as quais, não tenham dúvidas, não se brinca, sobretudo se não for de brincar, mas de vender mentiras que chocam e disseminam o terror, que se trata. Uma coisa é inventar mitos, outra coisa é vender sensacionalismo. Depois queixem-se das TVIs, dos tablóides, das invasões de privacidade, etc. Como diria o poeta, não vou por aí.

8 Comments:

At 8:01 da tarde, Blogger FAG said...

Fui ver, aquilo é o arremedo gaiteiro de quem quer estar muito «à frente», ou de quem quer salvar a face depois de ter caído numa cinzenta (obscura) fraude que não tem nada de humorístico. É escamoteado o principal: tratou-se de uma jogada publicitária porca para promover um livro, ainda por cima querendo fazer-nos passar por totós que engolem tudo. Onde está o humor desses modernos velhos humoristas? Aquilo é um espelho perfeito e implacável, principalmente com essa do «tanto tique de classe, tanto arrebique idem», e com essa de «o cinzentismo é de regra», e com essa do «azedume». Fora as inverdades: agora já não há Velho, mas há muitos Velhos pequeninos e medíocres, sem botas mas com sapatos de marca; não há Pide mas há bufos; há guerra e há fome. Não há humor em nada disto, só tristeza.

 
At 8:10 da tarde, Blogger hmbf said...

Caro Fag, só lhe posso agradecer o comentário. Ainda bem que não estou só. Arrisco até uma comparação: não vejo diferença alguma entre um padre de província que, fazendo uso do seus estatuo, espalha o terror para vender o seu produto, divulgando panfletos com imagens de fetos mortos e chineses a banquetearem-se com os ditos, e intelectuais muito urbanos que, fazendo uso da sua credibilidade, disseminam mentiras escabrosas com o intuito de promoverem e venderem os livros dos amigos. Chamem-lhe azedume.

 
At 11:32 da tarde, Anonymous Eduardo Barrento said...

Rasteiro, baixo... quer dizer, adjectivos para quê?

 
At 8:24 da manhã, Blogger hmbf said...

É verdade, caro Eduardo Barrento, não merece outros adjectivos. E o que me espanta é que pessoas inteligentes e cultas embarquem no negócio como se de nada se tratasse, acusando de azedume e falta de humor quem se indigna com estas coisas. Será que este Eduardo Pitta é o mesmo que há tempos (http://daliteratura.blogspot.com/2006/05/comer-peixe.html) se indignava tanto com um programa de humor dedicado ao tema da homossexualidade? À época Pitta falava num «exercício metódico de homofobia que pontuou as perguntas, os comentários, os sketches humorísticos, os diálogos patetas, os trocadilhos, etc»... Não digo que não tivesse alguma razão. O que me espanta é esta mudança súbita de atitude. Ficamos a saber que não alinhar com mentiras escabrosas para promover livros é falta de humor. Realmente, o sentido de humor de alguns portugueses deixa muito a desejar.

 
At 10:15 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Permitam-me que acrescente uma pequena curiosidade acerca de toda esta questão:

http://naolinemqueroler.blogspot.com/2006/09/olha-o-grupo-do-castilho-para-si-sr.html

http://naolinemqueroler.blogspot.com/2006/09/dos-enganos-e-desenganos-de-eduardo.html

Nota mais que importante: foi o próprio Pitta quem anunciou estes tipos! Tecendo elogios ao humor mordaz utilizado pelos mesmos. Talvez o tivesse feito como forma de se salvaguardar! Nem assim conseguiu escapar. Meus senhores! Atrevo-me a dizer: isto sim, é humor... mordaz. E eu não tenho nada contra o Pitta. Só não gosto de pi(tta)eguices.

 
At 11:25 da manhã, Blogger LB said...

Eu sempre defendi um humor sem limites (Borat, Little Britain, Swift, De Sade, Kaufman etc. etc.) e ainda há pouco brinquei com um Joaquim Letria que não tinha sentido de humor. No entanto, o humor faz rir, por definição e ninguém riu disto a não ser os próprios autores, logo - falhou como humor.
Vale tudo, mas quanto mais arriscado e politicamente incorrecto é o humor, melhor e mais inteligente deve ser. Era possível fazer isto com piada, com arte, mas exigia tempo, calculismo, reflexão, atenção aos detalhes, secretismo, contrastes, absurdo, caricatura etc.

Por exemplo, em vez de forçar a piada fazia-se só um blogue ficcionado e esperava-se para ver se o monstro surgia, quando outros bloggers mordessem o isco. Isso sim, faria questionar algumas coisas e, mesmo que ficássemos lixados por termos sido enganados, sabíamos que nós é que tínhamos optado por acreditar, porque a fonte não era credível. Isto não é o mesmo que utilizar blogues e pessoas credíveis, de forma orquestrada, para forçar uma mentira e publicidade de mau gosto. Isso não recria absolutamente nada que se passe no mundo real, não é sátira nem humor e é só nisto que colido no caso de Eduardo Pitta. Mais do que o seu envolvimento (ligeiro e não participado), é essa resposta, em que acusa pessoas de falta de sentido de humor e azedume, que me faz duvidar da capacidade de apreciar humor, esse género literário quase inexistente em Portugal.

Quanto ao marketing... who cares? Se algum leitor acha piada ou fica cativado por aquilo, bom, paciência. Conheço pessoas que lêem Paulo Coelho, Dostoiévski, Margarida Rebelo Pinto e Lobo Antunes, e gostam, sem distinguir uns de outros. É um pouco assustador, mas ao mesmo tempo, pode ser saudável para não nos levarmos muito a sério.

O que fizeram foi uma "partida parva" daquelas que se faziam na minha escola, quando a malta fixe e beta se juntava para gozar com os totós e os marrões @_@
Não é assim tão grave. A mim ajudava-me sempre a convicção de que eu estava ali era para ir para a Universidade. E pena que os blogues não sejam exactamente um upgrade face ao liceu. Há a mesma preocupação pelas redes e estatutos sociais e pouca existência autónoma e genuína, com vista a algo maior e melhor e mais verdadeiro.

 
At 8:36 da tarde, Anonymous ASA said...

Talvez estes senhores apenas se queiram tranformar em bloggers profissionais e tenham tentado o marketing viral - falharam!! o que me leva a crer, porque estamos em Portugal, que vão conseguir chegar onde desejam.

 
At 10:38 da tarde, Anonymous rita said...

De facto, o que é incrivel é o Pitta e o Mar Salgado e outros de quem se esperaria um mínimo de noção do ridículo irem naquela palermice.

Enfim, o mundo é feito de muitas e variadas gentes...

 

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