10.7.08

O pensamento nas mãos #8


Se houve compositor para quem o piano foi um fazer, melhor, um saber-fazer e fazer-saber, esse compositor foi Franz Liszt - nasceu em Raiding na Boémia a 22 de Outubro de 1811 e morreu em Bayreuth a 31 de Julho de 1886. Ao contrário de Bach, não compôs só para honrar a deus e formar alunos, este compositor foi um pianista virtuoso, o Paganini do piano, actuou em todos os grandes centros da Europa no séc. XIX, apesar de nos ter deixado também uma excelente obra de música sacra. De personalidade controversa, este romântico oscilou entre crises místicas e paixões pouco convencionais: pertenceu à seita dos saint-simonistas, professando um socialismo religioso, mais tarde foi membro da ordem dos Franciscanos; em relação às suas paixões, viveu em união livre com a condessa Marie d’Agoult e depois com a princesa Caroline Sayn-Wittgenstein, de quem se separou para se tornar o abade Liszt. O anjo-diabo Liszt compôs uma vasta obra pianística de difícil execução, de que é exemplo a sonata em si menor; e como acredito em anjos, encontrei no Youtube o anjo Evgeny Kissin a interpretar esta sonata diabólica, mas só acedemos aos vídeos através dos links que aqui vos deixo:

http://www.youtube.com/watch?v=vCF8C5U7Pco

http://www.youtube.com/watch?v=CD0m9vfXadQ&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=atRAhucAoLU&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=E0sgkllWzbQ&feature=related

Maria João

6 Comments:

At 10:34 da tarde, Blogger Victor Oliveira Mateus said...

Já agora, e puxando "a brasa à
minha sardinha", não percam a
dita sonata em si menor numa
gravação mais antiga de François-René Duchable, tocando num Steinway. Não encontro o CD nesta bagunça, mas penso q é da "Erato".
(Já sei q me vão dar um tiro!)

 
At 11:37 da tarde, Blogger etanol said...

caro Victor, boa noite, obrigada pela sugestão, não conheço o pianista vou procurar.

Maria João

 
At 1:23 da tarde, Blogger np said...

que coisa boa Maria João, infelizmente não tenho dado à música clássica a atenção que devia.

 
At 12:55 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Maria João,

o Kissin está fabuloso, com sempre, nesta versão da Sonata em si menor. É considerada por muitos pianistas a obra mais difícil e exigente do repertório tradicional do piano, não só pela sua extensão (são quase 30 minutos de música, sem respirações) com pela sua complexidade interpretativa e musical.
Liszt faz aqui história na composição musical: se reparares, a obra chama-se Sonata, mas não tem andamentos isolados, com no tempo de Mozart ou Beethoven. A forma Sonata já não é aplicada como no classicismo, os temas e os desenvolvimentos são muitos e até inclui um fugato no final. Uma obra de génio, portanto. Inovadora, desafiadora.

Por acaso fui à estante e estou a olhar para a partitura- a peça foi dedicada a Schumann e estreada por Hans von Bülow em 1853 ou 1854- este senhor foi professor do nosso Viana da Mota, o qual também foi professor do nosso Sequeira Costa...

O primeiro link termina aqui na exposição do tema V, cantando expressivo, depois do Grandioso.
No que Kissin é sempre insuperável é na energia que aplica à execução sem mácula, sempre intensa, mas não demais. É mais um génio do piano. Muito bem escolhido. E não vejo nada contra o François-René Duchable, gosto muito desse pianista francês.

Sofia

 
At 12:25 da tarde, Blogger etanol said...

np: o bom da epoca em que vivemos é podermos ouvir música de várias epocas.

Sofia: eu fui aluna do Carlos Couto Siqueira Costa no mestrado de Estética na FLUL, filho do pianista e o Henrique foi aluno dele na Católica :)

Maria João

 
At 12:37 da manhã, Anonymous Anónimo said...

O mundo é pequeno, pois é

Abraço,
Sofia

 

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