12.2.06

ROSA VERMELHA

Rosa vermelha
Rosa vermelha
Rosa vermelha

Ele levou-me ao jardim da rosa vermelha
E atou uma rosa vermelha às minhas madeixas trémulas na [ escuridão
E por fim
Adormeceu comigo sobre a pétala duma rosa vermelha

Ó pombos sem destino
Árvores inexperientes ingénuas, ó janelas cegas,
Debaixo do meu coração e no fundo das minhas costas, agora
Cresce uma rosa vermelha
Vermelha
Como uma bandeira
Na ascensão

Ah, estou grávida, grávida, grávida

Tradução de Mohsen Rostami.

Forugh Farrokhzad

Forugh Farrokhzad nasceu em 1935 em Teerão. Iniciou a sua actividade poética com treze ou catorze anos de idade e com dezassete publicou a sua primeira obra poética: Presa, o primeiro volume de poesia na história da literatura persa (que é milenar) aberta e declaradamente feminino. Nos anos 50, começou a interessar-se pelo cinema. Viajou até Inglaterra e, já na década de 60, participou na redacção e interpretação de um filme sobre cerimónias de casamento no Irão. Participou em vários filmes, como argumentista, produtora, intérprete, etc. Traduziu para persa Joana Sagrada, de Bernard Shaw, e uma peça de Henry Miller. No Verão de 1964 foi publicada uma grande colectânea da sua poesia. Morreu aos trinta e dois anos de idade, em 1967, num acidente de viação no Irão. (in aguasfurtadas, n.º 8) »

7 Comments:

At 5:35 da tarde, Blogger dama said...

Ah, é muito bom este poema.

 
At 9:40 da tarde, Blogger lebredoarrozal said...

a forugh é simplesmente genial, ela e a anne sexton são as minhas poetas preferidas:)

 
At 5:02 da tarde, Blogger Vostradeis said...

poeta - do Lat. poeta < Gr. poietés, o que faz, o autor

adj. e s. m.,
que ou aquele que faz versos;

o que tem inspiração poética ou carácter idealista;

sonhador;

o que traduz em verso o sentimento do belo.

poetisa - fem. sing. de poeta

s. f.,
mulher que faz versos.

 
At 5:41 da tarde, Anonymous hmbf said...

A língua e os seus usos nem sempre primam por explicações lógicas. No caso em apreço, eu diria que a explicação é sociológica, ou melhor, sociolingu[ü]ística. Como a consulente refere, as gramáticas indicam, como feminino de poeta, poetisa, pelo que não há, do ponto de vista meramente gramatical, qualquer razão para se atribuir ao vocábulo poeta uma cara(c)terística que a gramática lhe não consagra, ou seja, a de ser uniforme quanto ao gé[ê]nero. Todavia, algumas mulheres com veia poética reconhecida intitulam-se a si próprias poetas. Inclui-se nesse grupo Sophia de Mello Breyner Andresen, falecida no dia 2 de Julho de 2004. Para Sophia, poetisa não era verdadeiramente a forma feminina de poeta, pois atribuía às mulheres um estatuto de menoridade face aos homens com idêntica a(c)tividade. Se consultarmos os dicionários, nada há de explícito que confirme um sentido depreciativo associado à palavra poetisa. Vejamos no entanto o que se diz em cada um dos verbetes no dicionário da Academia:
Poeta […] Escritor cuja forma de expressão literária é o verso.
Poetisa […] Mulher que escreve poesia...
Poderá esta definição ser problemática? Não sei. O que é verdade é que neste Verão marcado pela perda de Sophia de Mello Breyner Andresen, talvez em sua homenagem, muitos jornalistas preferiram usar o termo poeta como uniforme. O que acontecerá a seguir? A sociedade e o uso ditarão se a palavra poetisa se perde ou se ganha sentidos diversos do que hoje lhe é, ainda, reconhecido.

(http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=14242)

Para mim são todos, e sempre, poetas. Aliás, ainda há tempos me diziam que poetisa já nem nas faculdades se usa.

Obrigado pelo comentário.

 
At 9:55 da manhã, Blogger Vostradeis said...

Sem dúvida, pertinente a sua intervenção, hmbf. De qualquer forma, o que eu pretendia aqui não era corrigir ninguém, mas sim, lançar a discussão.

E por falar em discussão, há uma muito interessante que está a ter lugar no blog Neo-normal, que tem a ver com plágio e envolve, curiosamente, este mesmo poema da Rosa Vermelha

 
At 10:31 da manhã, Anonymous hmbf said...

Caro Vostradeis, mesmo que pretendesse corrigir... Corrija quando quiser e bem entender. Erros não faltarão.

 
At 1:32 da manhã, Anonymous Anónimo said...

ROSA VERMELHA: poema com o qual um jovem estudante de medicina (Mohsen Rostami) ganhou um concurso literário em Coimbra.
Certamente os "dons" de tradutor do Mohsen Rostami já datam de algum tempo.

 

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